WAO News and Notes - Medical Reviews
Volume 5, Issue 3
Reviews - March 2008
Medical Journal Reviews

Artigos revistos pelo Prof. Richard F. Lockey, M.D., Editor Chefe da WAO Web.

1. Prednisolona (P) oral ou intravenosa (IV) no tratamento de exacerbações da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) - Um estudo aleatório, controlado e duplamente-cego.

Quatrocentos e trinta e cinco doentes foram referenciados por exacerbação de DPOC requerendo hospitalização. Cento e sete doentes receberam 60 mg de P IV e 130 receberam 60 mg de P oral. O insucesso do tratamento, o principal parâmetro, foi definido como morte, admissão nos cuidados intensivos, re-admissão nos cuidados intensivos por DPOC ou intensificação da farmacoterapia durante um período de follow-up de 90 dias. O insucesso global do tratamento foi semelhante nos dois grupos. Os autores concluem que a P oral é tão eficaz como a P IV até 90 dias após início do tratamento.

Comentário do Editor: O tratamento com a P oral é mais fácil e provavelmente oferece uma melhor relação custo-eficácia do que a P IV; os achados são semelhantes para o tratamento das exacerbações da asma. de Jong YP, et al., Chest 2007; 132(6):1741-47. (editorial: Tashkin, pp. 1728-29).

2. Terapia de manutenção e alívio dos sintomas com budesonida/formoterol (B/F): Impacto na inflamação das vias aéreas na asma. Após duas semanas da terapêutica habitual, 1538 doentes foram designados aleatoriamente para um estudo aberto de terapia de manutenção e alívio dos sintomas, com a duração de 6 meses, com BF 160/4,5µg 2Xdia e conforme necessário ou com terapia convencional baseada nas recomendações da melhor prática clínica. Analisaram-se as exacerbações graves da asma, o uso de medicação para alívio dos sintomas e doses totais de corticosteróides inalados (CI) em todos os doentes. Não se observaram diferenças no tempo entre exacerbações graves nem na sua incidência. No entanto, verificaram-se menos idas a serviços de urgência/hospitalizações com o tratamento com BF (4,4 vs. 7,5/100 doentes/ano; 41% de redução; p = 0,09). A dose total média de IC, o uso de terapia para alívio dos sintomas, o custo da medicação para a asma e os custos anuais por doente foram significativamente mais baixos com a terapia de manutenção e alívio dos sintomas com B/F (todos p < 0,01). Os autores concluem que a terapia com B/F é melhor do que a convencional para doentes com asma persistente. Os efeitos colaterais foram semelhantes nos dois grupos.

Comentário do Editor: O tratamento com B/F 160/4,5 µg 1 spray 2Xdia e doses adicionais, se necessário, até 12 inalações diárias é eficaz para a asma. Sears MR, et al., ERJ Express 2008; doi: 10.1183/09031936.00104007.

3. Claritromicina (CL) no tratamento da inflamação neutrofílica das vias aéreas na asma refractária.

Quarenta e cinco doentes com asma refractária grave foram aleatoriamente distribuídos para receber CL 600 mg 2Xdia ou placebo durante 8 semanas. O principal parâmetro foi as concentrações de IL-8 na expectoração. Outros parâmetros incluíram os números de neutrófilos e as concentrações de elastase de neutrófilos da expectoração e a metaloproteinase da matriz (MPM)-9. Os parâmetros clínicos incluíram: função pulmonar, hiper-resposta das vias aéreas a soro hipertónico, controlo da asma, qualidade de vida e sintomas. A CL diminuiu significativamente as concentrações de IL-8 nas vias aéreas e os números de neutrófilos e melhoraram as pontuações da qualidade de vida, comparativamente com o placebo. Também se observaram reduções não significativas da elastase dos neutrófilos e da MPM-9. Os autores concluem que a CL pode modular os níveis de IL-8 e a acumulação e activação de neutrófilos nas vias aéreas de doentes com asma refractária e poderia reduzir a inflamação não-eosinófila das vias aéreas, particularmente na asma neutrofílica.

Comentário do Editor: A CL pode ser útil em indivíduos com inflamação neutrofílica das vias aéreas e asma refractária. Simpson JL, et al., Am J Res Crit Care Med 2008; 177:148-55.

4. Factor de activação plaquetária (FAP), FAP-acetil-hidrolase (FAPA) e anafilaxia (A) grave. Mediu-se a actividade FAPA em 41 doentes com A e em 23 controlos. Também se mediu o FAPA em nove doentes que tinham alergia ao amendoim e sofreram A fatal e fez-se a comparação com 26 controlos (C) pediátricos não-alérgicos, 49 C adultos não-alérgicos, 63 doentes com alergia ligeira ao amendoim, 24 doentes com A não-fatal, 10 pessoas que morreram por causas não-anafilácticas, 15 com asma aguda grave e 19 com asma não-aguda. Os níveis de FAP foram significativamente mais elevados na A (805 ± 595 pg/ml) do que nos C (127 ± 104 pg/ml, p < 0.001 após transformação logarítmica) e estiveram relacionados com a gravidade da A. Verificou-se uma correlação inversa entre as actividades FAP e FAPA (p < 0.001). Os autores pensam que a não inactivação de FAP por FAPA pode contribuir para a gravidade da anafilaxia. Comentário do Editor: A falta de qualidades adequadas de FAPA pode contribuir para o aumento da gravidade da A. A. Vadas P, et al., N Engl J Med 2008; 358: 28-35. (editorial: Burks, pp. 79-81).

5. Allergology International.

O número de Dezembro da Allergology International contém 3 revisões sobre remodelação das vias aéreas e asma. A primeira, de Yamauchi K, et al., tem o título "Remodelação das vias aéreas na asma e limitação irreversível do fluxo aéreo - Deposição de ECM nas vias aéreas e possível terapia para remodelação"; a segunda, de Tagaya E, et al., intitula-se "Mecanismos da remodelação das vias aéreas na asma"; e a terceira, de Sumi Y, et al., com o título "Remodelação das vias aéreas na asma".

Comentário do Editor: Esta é uma boa actualização do tema remodelação das vias aéreas na asma. Yamauchi K, et al.,Allergology International 2007; 56: 321-29. Tagaya E, et al., 331-40. Sumi Y, et al., 341-48.

6. Características atópicas da variante com tosse da asma (CVA) e da asma clássica (AC) com sibilos.

Estes autores examinam os níveis de IgE específica para sete aeroalergénios comuns em 74 doentes com CVA (indivíduos que tinham tosse na ausência de sibilos ou dispneia, presença de hiper-resposta das vias aéreas a metacolina e uma resposta sintomática da tosse a broncodilatadores) versus 115 doentes com AC de gravidade diversa. Os doentes com AC tiveram níveis de IgE total mais elevados (p < 0,0001), mais sensibilização a alergénios (p = 0,03) e mais elevados índices de sensibilização a caspa de cão (24% vs. 3%, p < 0,0001), ácaros domésticos (46% vs. 28%, p = 0,02) e bolor (17% vs. 7%, p = 0,047), comparativamente com os doentes com CVA. Ocorreram sibilos em seis doentes (15%) com CVA sensibilizados a um maior número de alergénios (p = 0,02) e com mais elevados índices de sensibilização a ácaros domésticos (p = 0,01) e caspa de cão (p = 0,02), comparativamente com os 34 doentes que não tiveram sibilos. Os autores concluem que a atopia está relacionada com o aparecimento de sibilos na CVA e que evitar os alergénios relevantes pode ajudar a prevenir a progressão da CVA para AC.

Comentário do Editor: Este é um estudo interessante sobre uma doença, a CVA, que raramente é estudada sendo bem conhecida de todos os médicos que cuidam de doentes com AC. Takemura M, et al., Clin Exp Allergy 2007; 37:1833-39.

7a. Recomendações da British Society for Allergy and Clinical Immunology (BSACI) para o tratamento das rinites alérgica e não-alérgica.

7b. Recomendações da BSACI para o tratamento da rinosinusite e da polipose nasal.

Estes dois artigos abordam os temas das rinites alérgica e não-alérgica, da rinosinusite e da polipose nasal, e resumem a ciência médica por detrás destas doenças e como devem ser tratadas Comentário do Editor: Artigos interessantes e de leitura obrigatória para quem se interessa por estes temas. Scadding GK, et al., Clin Exp Allergy 2008; 38:19-42. Scadding GK, et al., Clin Exp Allergy 2008; 38:260-75.

8. Teste HLA-B*5701 para hipersensibilidade ao abacavir (A).

A presença do alelo HLA-B*5701 está associada a reacções de hipersensibilidade ao A. Neste estudo prospectivo, duplamente-cego e aleatório avaliaram-se 1.956 doentes infectados com VIH tipo 1, que não tinham tomado A anteriormente, para estabelecer a eficácia do teste HLA-B*5701 na prevenção de reacções de hipersensibilidade ao A. O teste eliminou as reacções de hipersensibilidade confirmadas imunologicamente (0% no grupo que fez o teste vs. 2,7% no grupo de controlo, p < 0,001), com um valor indicativo negativo de 100% e um valor indicativo positivo de 47,9%. Os autores concluem que o teste HLA-B*5701 pode prevenir um efeito tóxico específico do A. Este artigo é acompanhado dum editorial intitulado "Biomarcadores farmacogénicos para previsão de reacções adversas severas a fármacos". Actualmente há, pelo menos, 7 biomarcadores que avaliam as reacções a: 6-mercaptopurinas, irinotecan, warfarin, antidepressivos tricíclicos, abacavir, carbamazepina e ximilagatran.

Comentário do Editor: Alguns marcadores farmacogenómicos podem prever reacções adversas severas a fármacos. Mallal S, et al., N Engl J Med 2008; 358:568-79. (editorial: Ingelman-Sundberg, pp. 637-38).

9. Alergia a marisco (AM) e meios de radiocontraste (MRC): Estarão os médicos a propagar um mito?.

Esta é uma sondagem anónima feita a 231 radiologistas e cardiologistas de intervenção em 6 centros médicos académicos no Midwest americano, para inquirir se a AM está relacionada com reacções a MRCs. Do total de inquiridos, 69% disseram que antes da administração de MRCs se informaram sobre história de AM e 37,2% disseram que perante uma história de AM recusavam a administração de MRCs ou recomendavam pré-medicação. Os autores concluem que o mito de que a AM é um factor de risco para reacções a MRCs é comum entre médicos.

Comentário do Editor: A AM não é um factor de risco para reacções a MRCs. Beaty AD, et al., Am J Med 2008; 121:158.e1-158.e4.

10. Actas da American Thoracic Society.

Toda a Revista é dedicada à respiração alterada durante o sono no adulto e na criança, abordando os aspectos epidemiológicos, fisiopatológicos, diagnósticos, de tratamentos médico e cirúrgico, bem como as potenciais sequelas desta doença.

Comentário do Editor: Um simpósio maravilhoso sobre um problema muito frequente em doentes observados por alergologistas e imunologistas. Mokhlesi B, Gozal D (Guest Eds). Proc of the Am Thoracic Society 2008; 5:135-284.

11. Suplemento da Journal of Allergy and Clinical Immunology intitulado "Mini-Primer on Allergic and immunologic Diseases".

Este número contem artigos de revisão de CME sobre "linfócitos", "células dendríticas como reguladoras de imunidade e tolerância", "moléculas de adesão e receptores". "imunidade da mucosa gastrointestinal", "genética das doenças alérgicas", "imunodeficiências secundárias, incluindo a infecção por VIH", "anafilaxia" e "asma ocupacional".

Comentário do Editor: Há que congratular os Drs. Ed Shearer e Don Leung (Editores) por este óptimo número do JACI CME. JACI (Suppl) 2008; 121: S363-S411.

12. Efeito do sulfato de glucosamina (SG) na osteoartrite (O) da anca.

Este é um ensaio aleatório e controlado de 222 doentes com O da anca, para determinar se o SG afecta os sintomas e a progressão estrutural da O da anca durante 2 anos de tratamento. Os principais parâmetros incluem dor e sub-escalas de função ao longo de 24 meses e o estreitamento dos espaços articulares após 24 meses. Os parâmetros secundários incluem dor e rigidez articular após 3, 12 e 24 meses. Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre o grupo de tratamento e o de placebo.

Comentário do Editor: O SG não é um tratamento eficaz para osteoartrite da anca. Rozendaal RM, et al., Annals of Int Med 2008; 148:268-77.

13. Ressonar (R) na idade pré-escolar: Prevalência, gravidade e factores de risco.

Avaliaram-se 6.811 crianças de 1 aos 4 anos de idade para prevalência, gravidade e factores de risco do R, especialmente o R habitual. Os pais de 59,7% das crianças referiram R nos 12 meses anteriores, incluindo 7,9% com R habitual e 0,9% com R habitual e perturbações do sono. A prevalência aumentou com a idade, de 6,6% em crianças com um ano de idade para 13,0% aos 4 anos. O R habitual esteve associado a: tabagismo num ou em ambos os progenitores [razão de probabilidade (RP) ajustada 1,46 e 2,09, respectivamente]; trânsito (RP 1,23); monoparental (RP 1,60); privação sócio-económica em crianças brancas, mas não em sul-asiáticas (RP 1,25 e 2,03 para os terços médio e superior da pontuação de Townsend, respectivamente). Verificou-se uma forte associação com doenças atópicas, infecções virais e exposições ambientais, o que sugere uma etiologia complexa.

Comentário do Editor: R ocorre em adultos e em crianças. Os médicos devem estar informados de que as crianças desenvolvem perturbações do sono que levam a problemas educacionais e comportamentais. Kuehni CE, et al., Eur Respir J 2008; 31:326-33.

14. Respostas sistémicas após broncoprovocação com aspirina em doentes sensíveis com asma.

Dezanove doentes com história de asma induzida por aspirina foram submetidos a broncoprovocações com aspirina-lisina (AL) e controladas por placebo (P). Colheu-se sangue periférico antes da broncoprovocação com LA ou P e uma e 20 horas depois, e determinaram-se os números dos progenitores dos leucócitos e dos eosinófilos. A provocação foi positiva em 13, tendo-se verificado uma reacção brônquica local isolada em seis doentes e sistémica (sintomas brônquicos e extrabrônquicos) em sete. Os progenitores dos leucócitos aumentaram significativamente duma média de 0,017% antes da provocação para 0,04% (p <0,05) às 20 horas depois da provocação. Na provocação feita à 20ª hora, o aumento dos progenitores dos leucócitos e dos eosinófilos foi observado nos doentes com reacções sistémicas. A eotaxina também ficou aumentada com as provocações positivas em dois indivíduos. A broncoprovocação com AL causa uma reacção sistémica associada com mobilização dos progenitores dos leucócitos e dos eosinófilos da medula.

Comentário do Editor: Os asmáticos sensíveis à aspirina sofrem duma doença sistémica e não apenas de asma. Makowska JS, et al., JACI 2008; 121:348-54.

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