Revistas por Gary Hellerman, Ph.D., em colaboração com Richard F. Lockey, MD, Editor Chefe da WAO Web.
1.
Segurança e imunogenicidade duma nova vacina contra a tuberculose, MVA85A, em
indivíduos infectados com Mycobacterium tuberculosis (M.t.).
Estima-se que um terço da população
mundial esteja infectada com M.t. e as pessoas com infecção latente da
tuberculose (ILTB) têm 5-10% de risco de desenvolver tuberculose pela
reactivação da bactéria adormecida. Foi desenvolvida uma vacina de subunidade recombinante
da MVA (Modified Vaccinia Ankara), a MVA85A, que expressa o antigénio 85A. O
objectivo deste estudo é o de avaliar a sua segurança e eficácia em pessoas com
ILTB. Os participantes (n = 12) estavam de boa saúde e tinham ILTB definida
por um teste positivo para IFN-gama em células de sangue periférico expostas in
vitro a antigénios de M.t., mas sem evidência clínica de TB (e.g.,
raio-X do tórax anómalo). Os indivíduos foram vacinados com MVA85A
intracutânea. Foram colhidas amostras de sangue no decurso das 52 semanas do
estudo e fez-se uma tomografia de alta-resolução antes da vacinação e novamente
10 semanas depois. Os indivíduos não referiram reacções adversas durante os 7
dias após vacinação, e não se verificaram alterações nos marcadores inflamatórios
nem nas tomografias. Ocorreu uma forte resposta imune a IFN-gama e a IL-2 que
continuou durante 52 semanas.
Comentário
do Editor: Este estudo
mostra que a vacina MVA85A pode ser usada com segurança e eficácia em pessoas
com infecção por tuberculose latente.
Sandler CR et al., Am J Resp Crit Care Med 2009;179:724-733. Ver também o editorial de
Dockrell HM & Zhang Y, pp. 628-629 (Resumo não disponível)
2.
Lesões não-fatais relacionadas com quedas associadas a cães e gatos – Estados
Unidos, 2001-2006.
As
quedas são a principal causa de lesões não-fatais nos E.U.A. e levaram 8
milhões de pessoas a Serviços de Urgência em 2006. O Center for Disease
Control (CDC) examinou as estatísticas do Programa de Todas as Lesões para
2001—2006 do National Electronic Injury Surveillance System e encontrou
uma média anual de 86.629 de lesões relacionadas com quedas atribuíveis a cães
e gatos, cabendo aos cães uma quota de 88%; as mulheres têm mais do dobro de
probabilidades de vir a sofrer uma lesão do que os homens. A maioria destas
lesões ocorreu em casa ou na área imediatamente à saída de casa.
Comentário
do Editor: Os gatos e
os cães não causam apenas alergias, mas estão também associados a lesões
relacionadas com animais de estimação.
Stephens JA, MMWR
2009;58:277-281.
3. A
vitamina D para além dos ossos na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).
A vitamina D regula genes
associados com os sistemas cardiovascular e imune, e ainda dos envolvidos na
homeostase óssea e do cálcio. Este artigo sobre Perspectiva Pulmonar avalia o
potencial da vitamina D no tratamento da DPOC. Os dados do 3º USA National
Health and Nutrition Survey mostram uma relação inversa sugestiva mas não
estatisticamente significativa entre os níveis séricos da forma circulante de
vitamina D, 25-hidroxivitamina D (25OHD) e FEV1/FVC. Este é o único estudo que
compara a função pulmonar com os níveis de 25OHD. Mais de 50% dos doentes com
doença pulmonar avançada tinham deficiência de vitamina D e 68% de um grupo de
doentes com DPOC tinham osteoporose ou osteopénia. A deficiência de vitamina D
pode resultar num aumento de infecções respiratórias que podem ser associadas
com exacerbações graves de DPOC. A fraqueza muscular é uma característica comum
dos doentes com DPOC e melhorias na força muscular e equilíbrio nos idosos foi
demonstrada com suplementação de vitamina D.
Comentário
do Editor: A vitamina D
e o cálcio estão indicados para ajudar a prevenir e tratar a osteopénia e a
osteoporose em doentes com DPOC. Talvez a vitamina D seja também útil no
tratamento da DPOC.
Janssens W et al., Am J Respir Crit Care Med 2009;179:630-636.
4.
Níveis séricos de vitamina D e marcadores de gravidade da asma infantil na
Costa Rica.
Um
grupo de 616 crianças costa- riquenhas com idades dos 6 aos 14 anos e com asma
diagnosticada por médicos participaram neste estudo. Os níveis séricos da forma
circulante de vitamina D, 25-hidroxivitamina D (25-OHD), eram insuficientes
(entre 20 e 30 ng/ml) em 24% das crianças e deficientes (<20 ng/ml) em 3,4%.
Fizeram-se análises estatísticas para modelos não-ajustados e multivariados. Os
níveis séricos de 25-OHD foram inversamente proporcionais à IgE sérica, à
contagem de eosinófilos no sangue periférico e à hiper-resposta à metacolina. A
IgE específica e as reacções aos testes cutâneos a ácaros foram também
inversamente proporcionais aos níveis séricos de vitamina D. Os níveis mais
elevados de 25-OHD estiveram associados com uma menor incidência de
hospitalizações por asma, comparativamente com o ano anterior ao estudo.
Comentário
do Editor: São
necessários mais ensaios clínicos com maior número de participantes para
determinar se a suplementação com vitamina D pode diminuir a gravidade da asma
ou mesmo prevenir a sua ocorrência.
Brehm JM et al., Am J Respir Crit Care Med 2009; 179:765-771. Ver também o editorial de
Devereux G et al., pp. 739-740 (Resumo não disponível)
5.
Alergológica - 2005, uma compilação de informação epidemiológica, clínica e sócio-económica
dos doentes alérgicos em Espanha.
Este é um número especial do Journal of Investigative
Allergology and Clinical Immunology, o órgão oficial da Sociedade Espanhola
de Alergologia e Imunologia Clínica. Dados de 4.991 doentes tratados por 340
alergologistas em toda a Espanha, em 2005, foram recolhidos, analisados e
resumidos neste trabalho, que compreende uma introdução e 11 artigos. Um estudo
semelhante foi publicado em 1992 e a nova informação nesta Alergológica - 2005
é avaliada em comparação com os dados anteriores. Uma descrição das características
clínicas e epidemiológicas dos doentes; a situação (rinoconjuntivite, asma,
urticária/angioedema, dermite atópica e de contacto, alergias alimentares e
medicamentosas, alergias a picadas de insectos, etc.); região geográfica;
variabilidade sazonal; procedimentos diagnósticos usados; métodos de tratamento
e de prevenção; efeitos da doença alérgica na qualidade de vida, actividades
laborais e de lazer; e aspectos da infra-estrutura de saúde que afectaram os
resultados são apresentados nesta série de artigos.
Comentário
do Editor: Esta
colecção de artigos sobre as doenças alérgicas na Espanha oferece um
enquadramento útil para outros países desenvolverem bancos de dados
semelhantes.
J Invest Allergol Clin Immunol 2009;19s2:1-68.
6.
Modulação de células dendríticas (CDs) usando o factor estimulante de colónias
de granulócitos-macrofagos (FEC-GM) atrasa a diabetes tipo 1(DT1) ao acentuar a
função das células T CD4+CD25+.
A hipótese levantada neste artigo é a de que é possível
prevenir a DT1 alterando a activação das CDs para suprimir as células T
efectoras CD4+ que destroem as células beta pancreáticas. As CDs podem induzir
as células T reguladoras (Tregs) CD4+CD25+ que bloqueiam a autoimunidade. A
injecção de ratos diabéticos não-obesos (DNO), um substituto para a DT1humana,
com FEC-GM antes da ocorrência da diabetes atrasou significativamente o início
da doença. As CDs de ratos DNO tratados com FEC-GM tiveram níveis reduzidos de
citocinas inflamatórias e aumentados de IL-10, relativamente a ratos
não-tratados, e tratamentos repetidos com FEC-GM prolongaram a supressão da
DT1. A população de Tregs nos ratos tratados com FEC-GM foi alargada e a
transplantação dessas células em ratos não-tratados preveniu a DT1. Mesmo em
estadios mais tardios da doença, após ocorrência de insulite, o FEC-GM
conseguiu prevenir a hiperglicémia.
Comentário
do Editor: A
susceptibilidade à DT1 pode estar associada com defeitos das CDs que poderão
ser corrigidos com o FEC-GM.
Cheatem D et al., Clin Immunol 2009;131:260-270.
7. A
produção de PBMC IFN-γ mediada por células NK dependentes de células
acessórias está defeituosa na infecção por VIH.
A co-infection de doentes VIH-positivos com
o virus da hepatite C (VHC) é frequente. A resposta antiviral inata depende da
activação das células dendríticas mielóides (CDM) das células exterminadoras
naturais (NK), que podem estar defeituosas nos doentes infectados com VIH ou
VHC. Neste estudo, células mononucleares do sangue periférico, (CMSPs), foram
isoladas a partir de doentes VIH +, HCV+ ou VIH / VHC + e analisadas para
números de células NK e produção de IFN-γ em resposta à activação das DCs
com poli (I:C). As CMSPs de indivíduos VIH + e VIH / VHC + mostraram diminuição
do IFN-γ e dos números de células NK. A incubação com IL-12 de CMSPs
tratadas com poli (I:C) restabeleceu os níveis de IFN-γ, o que indica que
o defeito está na activação nas células NK dependentes e não na activação
directa de IL-12. As CMSPs de doentes VIH + tinham menos células dendríticas
mielóides do que os controlos, o que pode, em parte, explicar os números mais
baixos de NKs.
Comentário
do Editor: A
recuperação dos números de CDMs em doentes com SIDA pode ser um viável
objectivo terapêutico.
Yonkers NL et al., Clin Immunol 2009;131:288-297.
8. A
MUC5AC induzida pela interleucina-13 é regulada pela via 15-lipoxigenase 1
(15LO1) nas células epiteliais brônquicas humanas.
Os asmáticos têm níveis mais elevados de
15LO1 e MUC5AC nas células epiteliais das mucosas, comparativamente com
indivíduos saudáveis. A IL-13 induz 15LO1 e MUC5AC. As culturas
tri-dimensionais ex vivo de células epiteliais em interface de
ar-líquido foram preparadas a partir de espécimens de broncoscopia de doentes
asmáticos e de indivíduos saudáveis sem doença respiratória. A expressão da
proteína 15LO1 (mas não do mRNA) foi mais elevada nos asmáticos, aumentando com
a gravidade. A expressão aumentada de MUC5AC co-localizada com a 15LO1
aumentada nas secções 3D de células epiteliais brônquicas, e a adição do metabólito
activo primário da 15LO1, ácido 15-hidroxieicosatetraenóico (15-HETE), teve um
efeito semelhante. A adição de IL-13 às culturas de células epiteliais
estimularam a expressão de 15LO1 e MUC5AC tanto nos espécimens de indivíduos
saudáveis como nos dos doentes asmáticos, sendo esta expressão evitada na
presença de um inibidor de 15LO1. SiRNA vs. 15LO1 também bloqueou a
expressão de MUC5AC induzida por IL-13.
Comentário
do Editor: Os inibidors
de 15LO1 podem constituir uma útil terapêutica adjuvante no tratamento de
doenças respiratórias crónicas.
Zhao J et al., Am J Resp Crit Care Med 2009;179:782-790.
9. Os
polimorfismos do receptor adrenérgico β2 afectam a resposta ao tratamento
em crianças com exacerbações graves de asma.
A mutação no receptor adrenérgico β2
(RA-β2) na posição 16 dos aminoácidos que resulta mais em glicina
(Gly/Gly) do que em arginina (Arg/Arg ou Arg/Gly) tem sido associada com
resposta acentuada à terapêutica com o agonista RA-β2. Neste trabalho, 37
crianças dos 2 aos 18 anos de idade, hospitalizadas em unidades de cuidados
intensivos (UCI) com exacerbações graves de asma, foram genotipadas para
RA-β2 SNPs na posição 16. As crianças com o genotipo Gly/Gly ficaram
significativamente menos tempo nos UCI, necessitaram de terapêutica com menos
albuterol e oxigénio e tiveram menor probabilidade de necessitar de RA-β2
i.v. do que as crianças com os genotipos Arg/Gly ou Arg/Arg.
Comentário
do Editor: O debate
sobre diferentes polimorfismos do receptor adrenérgico β2 continua. A
determinação do genotipo RA-β2 em crianças com asma grave
pode ser útil na avaliação do regime de tratamento.
Carroll CL et
al., Chest 2009;135:1186-1192.
10.
Epinefrina (Epi) e dexametasona (Dex) em crianças com bronquiolite.
Um estudo multicentro,
duplamente-cego e controlado por placebo avaliou em 800 bebés, com idades das 6
semanas a 12 meses, de 8 serviços de urgência pediátrica (UP) canadianos, a
eficácia de terapia combinada com Epi/Dex para tratar bronquiolite. Os bebés
foram avaliados na UP, usando uma pontuação (de 4 a 15) de um índice (RDAI) de
sofrimento respiratório, e designados aleatoriamente para um de quatro grupos
(~200/grupo). Um grupo recebeu Epi nebulizada (3 ml duma solução a 1:1000) e 6
doses orais de Dex (1.0 mg/kg de peso); o segundo grupo recebeu apenas Epi; o
terceiro grupo Dex apenas; e o quarto grupo apenas placebo. O primeiro dado
registado foi o internamento hospitalar até 7 dias após inscrição no estudo; os
outros dados incluíram alterações nas frequências cardíaca e respiratória,
pontuação RDAI, saturação de oxigénio, tempo até à alta da UP ou do hospital e
regresso do doente por sintomas de bronquiolite até 22 dias após inscrição no estudo.
Os bebés dos grupos Epi e Epi/Dex tiveram pontuações RDAI e frequência
respiratória significativamente mais baixas do que os do grupo de placebo. Os
eventos adversos foram pouco frequentes e sem diferenças significativas entre
grupos. A terapia combinada com Epi/Dex produziu uma redução de 35% do risco
relativo para hospitalização independente da gravidade da doença. Os bebés do
grupo de terapia combinada também tiveram alta mais cedo e recuperaram mais
rapidamente do que os do grupo de placebo.
Comentário
do Editor: A combinação
de Epi nebulizada e Dex oral parece ser melhor para crianças com bronquiolite.
Plint
AC et al., New Engl J Med 2009;360:2079-2089.