O Prof. Richard F. Lockey, Editor Chefe da Web da WAO e o revisor convidado Gary Hellermann, PhD, revisaram artigos dos principais jornais médicos para alergistas práticos. Leia os três melhores abaixo e para ler os outros oito, clique aqui clique aqui.
1. IL-15 limita a defesa antibacteriana dependente de mastócito pela supressão da atividade da quimase.
Usando modelo de sepsis bacteriana em camundongo, os autores encontraram que a deficiência de IL-15 aumenta a sobrevida dos animais. IL-15 aumenta a resposta imune pela ativação de células T, timócitos, linfócitos B e células natural killer. Neste estudo, IL-15 inibe a transcrição da protease-2 de mastócito (quimase), enzima que quebra a proteína celular a proteína 2 ativadora de neutrófilo (NAP-2), que recruta neutrófilos ao local da infecção. A atividade da protease-2 é regulada pela IL-15, e a deleção da IL-15 em camundongos resulta em morte bacteriana mais rápida e aumenta a sobrevida neste modelo experimental de sepsis em animais. Comentários do Editor: Inibir a produção de IL-15 pelos mastócitos pode melhorar a sobrevida por sepsis em humanos. Orinska Z et al. Nature Med. 2007; 13:927-934. (Editorial: Ward PA, 13:903)
2. Imunoterapia com Alérgeno: Parâmetro Prático e Segunda Atualização.
O suplemento de Setembro do JACI é o segundo documento sobre parâmetros práticos de imunoterapia com alérgeno. Ele inclui 352 referências e cobre amplamente a ciência de várias formas de imunoterapia. Em seguida à introdução, tópicos tais como mecanismos, extratos de alérgenos disponíveis, eficácia, segurança, seleção de pacientes, esquemas e doses, e outros aspectos do tratamento são extensamente abordados. Cada seção inicia com um relato sumário seguido pelo seu racional científico. Comentários do Editor: Este parâmetro prático é uma boa leitura para todos os alergistas que prescrevem imunoterapia. Cox, et al. JACI 2007; 120:S25.
3. Efeitos antiinflamatórios de altas doses de fluticasona inalada (F) versus prednisona oral (P) em exacerbações moderadas de asma.
Estudo clínico randomizado. De um grupo de 45 pacientes com asma tratados por asma moderada em unidade de emergência, 19 receberam F associado a P placebo enquanto que 20 receberam P associada a F placebo. Tabagistas e os com doenças crônicas sérias ou os tratados com corticosteróide oral or i.v. nas quatro semanas que antecederam o estudo foram excluídos. F foi administrada por inalador dosimetrado na dose de 4000 mg/dia (16 puffs) e P foi administrada em dose única diária, 30 mg/dia. Os sintomas melhoraram nos dois grupos sem diferenças no PEF, FEV1 ou contagem de eosinófilos no escarro após 24 horas. F inalada versus P produziu melhora inicial mais rápida em alguns sintomas. Comentários do Editor: Os resultados sustentam a idéia de que dose alta de F inalada pode ser mais efetiva como doses moderadas de P para o tratamento de exacerbações de asma. Belda J et al. Eur Resp J 2007 [Epub Aug. 9 ahead of print].
4. Estudo para avaliar a segurança e eficácia do mepolizumabe em pacientes com asma persistente moderada.
A IL-5 está envolvida no recrutamento, ativação e sobrevida de eosinófilos, e no acúmulo que está associado com HRB e produção de mediadores inflamatórios em asmáticos. Este estudo multicêntrico, randomizado, controlado por placebo foi idealizado para determinar se a administração de anticorpo monoclonal humanizado anti-IL-5, mepolizumabe (Mep), a um grupo de pacientes com asma melhora escore de sintomas, eosinofilia no escarro e na qualidade de vida (QOL). Os pacientes tinham idade entre 18 e 55 anos, com FEV1 entre 50% e 80% do previsto e tratados com corticosteróides e agonistas beta2. Os participantes eram de 55 centros da França, Alemanha, Holanda, Reino Unido, e Estados Unidos, e 362 pacientes foram randomizados em três grupos: Mep 250 mg, Mep 750 mg ou placebo. Os tratamentos (i.v.) foram realizados no basal (visita 3) e duas vezes mais a intervalos de 4 semanas. A eficácia foi medida 4 semanas após a dose final com um seguimento de oito semanas. A administração de Mep reduziu os eosinófilos séricos e no escarro mas os outros desfechos não foram significantemente diferentes do placebo. Comentários do Editor: Apesar da terapia com anti-IL-5 para asma teoricamente teoricamente parecer efetiva, os resultados clínicos são desapontadores. Flood-Page P et al. Am J Resp Crit Care Med 2007; [Epub Sept. 13 ahead of print].
4. O VSR diminui a proteína p53 em prolongar a sobrevida das células epiteliais da via aérea.
A p53 é uma proteína supressora de tumor que induz a expressão de genes para apoptose e bloqueio o ciclo vital celular. Quando a expressão da p53 é baixa, como nas células cancerosas, elas não morrem. Em camundongos os níveis de p53 são reduzidos pela proteína murina dupla 2 (Mdm2), que causa a quebra proteolítica da p53. A infecção pelo VSR pode aumentar os níveis de Mdm2 por fosforilação, e isto causa a diminuição de p53 e expressão dos genes da apoptose. As células epiteliais infectadas pelo VSR sobrevivem mais, mas não produzem mais vírus. Camundongos tratados com Nutlin-3, um inibidor de Mdm2, então quando infectados com VSR, e se verificou que os níveis aumentados de p53 e células epiteliais e sobrevivem mais à apoptose do que os controles. Entretanto, o aumento da p53 também causa aumento da replicação viral e diminuição da IL-6. Comentários do Editor: Este estudo contribui para o entendimento da interação complexa entre o VSR e o sistema imune e pode levar ao desenvolvimento de novos antivirais. Groskreutz DJ et al. J Immunol 2007; 179:2741-2747.
5. Racional farmacológico para tratar rinite alérgica e não alérgica.
Esta é uma revisão excelente do JACI sobre o tópico do tratamento com drogas da rinite alérgica e não alérgica. O estudo revisa várias classificações de rinite e algoritmos para o tratamento farmacológico da rinite alérgica e não alérgica. Ele também revisa os tratamentos controversos tais como salina intranasal e capsaicina. Comentários do Euthor: Revisão excelente que todos os que tratam rinite devem lê-la. Greiner, et al. JACI 2006;118:985.
6. Gatilhos de ATP extracelular e manutenção da inflamação asmática das vias aéreas pela ativação de células dendríticas.
ATP pode ser liberado de células pulmonares danificadas durante estresse e atua sobre células do sistema imunológico via receptores de purina P2X e P2Y. O estudo investiga o papel potencial do ATP na asma ao usar fluido do lavado broncoalveolar de modelo em camundongo de asma alérgica. O desencadeamento com alérgeno aumenta o ATP nos pulmões e se acompanha por aumento da expressão de citocinas Th2, IL-4, -5 e -13. Quando o ATP é enzimaticamente neutralizado ou quando os receptores P2 são bloqueados, a inflamação da via aérea é reduzida. Os autores observaram que o ATP induz a expressão de um quimioatraente de células dendríticas e da produção de citocinas pelas células dendríticas. Comentários do Editor: Suprimir a sinalização do receptor de Purina pode ser um adjuvante útil no tratamento da asma. Idzko M et al. Nature Med 2007; 13:913-919.
7. Efeitos dos glicocorticosteróides sistêmicos (GCS) em pacientes com pneumonia adquirida na comunidade (PAC).
O objetivo deste estudo foi determinar a eficácia de GCS em reduzir a mortalidade por PAC. Neste estudo retrospectivo, 308 pacientes idosos hospitalizados por PAC foram avaliados e destes 70 receberam antibióticos e GCS (equivalente a metilprednisona ?24 mg/dia ou prednisona ? 30 mg/dia). Os outros receberam apenas antibióticos. O número de mortes entre os tratados com GCS foi reduzido significamente em comparação aos que não os receberam. Comentários do Editor: Embora este estudo tenha demosnttrado efeitos benéficos dos GCS em pacientes idosos com PAC, estudos adicionais são necessários. Garcia-Vidal C et al. Eur Resp J 2007; [Epub Aug. 9 ahead of print].
8. Mutações dominante-negativas no dominio de ligação do DNA da STAT3 causa a síndrome de Hyper-IgE.
A síndrome de Hiper-IgE (SHIE) é representada por um conjunto de sintomas que incluem abscessos cutâneos, pneumonia formadora de cistos, anormalidades esqueléticas e dentárias e níveis séricos de IgE. A presença de efeitos multi-sistêmicos na SHIE sugere que o fator que afeta a expressão de um número de genes pode estar defeituoso. Este estudo relata que uma única mudança de aminoácido no domínio de DNA da STAT3 são responsáveis por SHIE em 8 de 15 pacientes não aparentados e não relacionados. Pais e irmãos de pacientes com SHIE assim como de um painel de 1000 controles saudáveis não relacionados tem a seqüência normal de DNA STAT3. O STAT3 mutante é dominante sobre a STAT3 normal e causa resposta defeituosa a IL-6 e IL-10 e reduz a ligação ao DNA. Comentários do Editor: A complexidade da SHIE é subestimada pela observação de que não há diferença entre sintomas visíveis entre os pacientes com SHIE com ou sem mutação da STAT3. Minegishi Y et al. Nature 2007; 448:1058-1062.
9. Imunoterapia dependente de anticorpo IgE para tumores sólidos: mecanismos citotóxicos e fagocíticos de erradicação de células cancerosas ovarianas.
O uso de Abs específicos contra tumores como alvo de destruição de células cancerosas é uma área promissora de pesquisa, e este estudo demonstra que os isotipos de IgE podem ser mais efetivos que IgG no tratamento de sarcomas. Células de câncer ovariano humano em cultura foram expostas a monócitos do sangue periférico (PBMCs) em combinação com Ab IgE contra folato ligante a proteína, um marcador específico de câncer ovariano. A análise em citometria de fluxo de três cores mostrou que monócitos ativados por Ab matam células tumorais por meios citotóxicos e por fagocitose. Experimentos in vivo utilizam camundongos nude injetados com células cancerosas ovarianas com ou sem PBMCs e Ab. O tratamento com Ab IgE resultou no aumento da capacidade de morte in vitro das células cancerosas e aumentou a sobrevida de camundongos injetados i.p. com células cancerosas ovarianas. O relato também elucida o mecanismo de morte das células tumorais por monócitos e demonstra que Ab IgE tumor-específico pode direcionar eosinófilos para matar células cancerosas ovarianas. Comentários do Editor: Este estudo oferece esperança para melhora na estratégia de tratamento ao se utilizar Abs IgE tumor-específicos. Karagiannis SN et al. J Immunol 2007; 179:2832-2843.
10. IL-13 regula a perda de cílio e a expressão de foxj1 no epitélio da via aérea humana.
Defeitos no transporte mucociliar nos pulmões determinam a presença de rolhas de muco que prejudicam a eliminação de micróbios e material particulado. Esses defeitos podem resultar de infecção pelo VSR que causa perda de células epiteliais ciliadas e produção excessiva de muco em pacientes infectados pelo VSR e asmáticos. Este estudo examina o mecanismo da perda ciliar e reparo em cultura de células epiteliais da via aérea de humanos. O tratamento das células com IL-13 resulta em perda de 65-90% das células ciliadas e deprimiu regulação do fator de transcrição foxj1, que é necessário para a formação ciliar. O fato dos níveis séricos de IL-13 serem elevados na asma e infecções respiratórias sugere que pode ser o instigador da perda de células epiteliais ciliadas. Comentários do Editor: Uma observação adicional é o potencial de trans-diferenciação das células epiteliais ciliadas a células mucosas, que sustentam a idéia de plasticidade celular no epitélio da via aérea. Gomperts BN et al. Am J Resp Cell Mol Biol 2007; 37:339-346.
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2-6 Dezembro de 2007
Bancoque, Tailândia
Roitt's Imunologia Essência, 11ª Edição
Por: P. Delves, S. Martin, D. Burton e I. Roitt
ISBN: 9781405136037
ISBN10: 1405136030
Disponível em: Blackwell Publishing
Preço de Lista: $59.95 USD
Revisor
Byol Shin, DO
Colégio de Medicina da Universidade do Sul da Flórida,
Hospital dos Veteranos James A. Haley
Tampa, FL, USA
Descrição
Esse livro texto revê os princípios da imunologia básica e aplicada, imunodeficiência, imunologia de tumores, e doenças autoimunes.
Proposta
A proposta é prover ao leitor com os conceitos básicos da imunologia e aplicar o conhecimento dos mecanismos básicos da imunidade inata e adaptativa no entendimento das reações imunológicas clínicas contra tumores, transplantes, e autoimunidade.
Audiência
O livro texto é direcionado a estudantes de medicina, graduados, residentes,
e imunologistas clínicos e de laboratório. É também um texto de valor para alergistas/imunologistas e especializandos que desejem atualizar os conhecimentos de imunologia sem reportar-se à literatura de pesquisas recentes.
Características
Imunologia Essencial, 11ª edição, inclui 18 capítulos e 474 páginas. Os cap ítulos iniciais descrevem em detalhes os componentes do sistema imunológico,
as bases celulares e moleculares do reconhecimento de antígenos, e a biologia dos linfócitos T e B. Os capítulos subseqüentes focalizam a imunologia dos transplantes, imunodeficiências congênitas e adquiridas, incluindo a AIDS, imunologia de tumores, e doenças autoimunes. Cada capítulo está bem organizado com tabelas claras e diagramas para auxiliar na discussão e no entendimento do material abordado neste texto e muitas fotografias excelentes e microfotos de eletron são empregados para ilustrar o texto. Os capítulos concluem com sumário, diagramas concisos, e sugestões de leituras complementares com lista extensa de referências.
Avaliação
Imunologia Essencial, 11ª edição, prove revisão concisa, abrangente e atualizada
da imunologia moderna. A maior força deste livro é ser de leitura fácil tendo-se em conta aspectos importantes da imunologia atual, é bem escrito e atrativamente ilustrado com diagramas, figures, quadros e tabelas.
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