Revisado por Juan Carlos Ivancevich,
MD, em colaboração com Richard Lockey, MD, Editor Chefe da Web da WAO.
1. Diretriz EAACI/GA²LEN/EDF/WAO:
definição, classificação e diagnóstico de urticária
Essa diretriz, juntamente com sua orientação irmã sobre a classificação de
urticária, é resultado do consenso atingido durante uma discussão de grupo no
Terceiro Encontro de Consenso Internacional sobre Urticária, uma iniciativa
conjunta da Academia Europeia de Alergia, Asma e Imunologia (EAACI), a rede de
excelência financiada pela UE, GA²LEN, o Fórum de Dermatologia Europeu (EDF) e
a World Allergy Organization (WAO). A urticária tem impacto profundo sobre a
qualidade de vida; portanto, faz-se necessário o tratamento eficaz. O
tratamento de primeira linha recomendado são os anti-histamínicos não-sedativos
de nova geração. Se a dose padrão não for eficaz, recomenda-se o aumento da
dose até quatro vezes. Para os pacientes que não respondem ao aumento de quatro
vezes, as terapias de segunda linha, como corticosteroides, ciclosporina,
omalizumabe ou fototerapia, devem ser adicionados ao esquema de
anti-histamínicos. Na terapia de segunda linha, é importante considerar custos
e a relação custo/benefício. Os corticosteroides não são recomendados para o
tratamento prolongado devido a seus efeitos adversos sérios.
Comentário do Editor: Essa diretriz é uma revisão da literatura existente
sobre o tema urticária.
Zuberbier T et al., EAACI/GA²LEN/EDF/WAO guideline: definition, classification
and diagnosis of urticaria. Allergy. 2009;64(10):1417-1426.
Resumo
2. Recomendações para estudos
clínicos sobre imunoterapia sublingual (SLIT) apropriada
A imunoterapia sublingual (SLIT) está ganhando atenção como alternativa à
imunoterapia subcutânea no tratamento da rinoconjuntivite alérgica. Além disso,
a SLIT tem sido estudada em outros transtornos, inclusive a asma. Contudo, uma
revisão de estudos publicados indica que existem deficiências e considerável
heterogeneidade no delineamento e na interpretação dos dados dos estudos. Isso
tornou difícil avaliar o local apropriado da SLIT nas diretrizes para terapia
de doenças alérgicas. Além disso, vários estudos não publicados sobre a SLIT
nos Estados Unidos, não atingiram as variáveis predeterminadas primárias (endpoints).
Este artigo revisa os dados dos estudos sobre SLIT e faz recomendações sobre
delineamentos apropriados para os futuros estudos. Espera-se que essas
recomendações resultem em estudos sobre SLIT com delineamento mais adequado
para facilitar o posicionamento apropriado dessa terapia para os pacientes com
outras doenças alérgicas.
Comentário do Editor: Este artigo deve auxiliar a delinear estudos ideais
para avaliar a eficácia e a segurança da SLIT.
Casale TB et al., Recommendations for appropriate sublingual immunotherapy
clinical trials. J Allergy Clin Immunol. 2009;124(4):665-670
Resumo
3. Terapia de manutenção e alívio
(M-A) com budesonida/formoterol (B/F) comparada com a melhor prática
convencional
A terapia de manutenção e alívio (M-A) com budesonida/formoterol (B/F) reduz as
exacerbações de asma e os sintomas com relação aos esquemas de doses fixas mais
agonistas β2 de curta ação (SABA) em estudos duplo-cegos. Não há
informações com relação sua efetividade em relação à melhor prática
convencional (MPC). Os autores realizaram uma análise agrupada de seis estudos
de 6 meses, randomizados e abertos, que examinaram o controle da asma e o risco
de exacerbação em asmáticos (idade ≥ 12 anos). Os pacientes (N = 7855)
sintomáticos que recebiam corticosteroides inalatórios (CI) ou os
estáveis/sintomáticos que recebiam CI/agonistas β2 de longa ação (LABA)
receberam terapia de M-A com B/F (160/4,5 µg 2Xdia e conforme a necessidade) ou
MPC (CI ou CI/LABA ± outros agentes em dose aprovada mais SABA conforme a
necessidade). O controle geral da asma foi avaliado comparando-se a incidência
de exacerbações e os níveis de controle de asma usando-se o questionário de
controle da asma (ACQ). A terapia M-A com B/F não reduz expressivamente o tempo
até a primeira exacerbação grave (variável primária) com relação à MPC.
Contudo, os pacientes tiveram 15% menos exacerbações e usaram 27% menos CI.
Comentário do editor: A terapia M-A com B/F pode melhorar os principais
aspectos do controle da asma comparada com a MPC de escolha do médico.
Demoly P et al., Budesonide/formoterol maintenance and reliever therapy versus
conventional best practice, Respiratory Medicine.
2009;103(11):1623-1632.
Resumo
4. Estudo constata
que a exposição precoce a creches não constitui proteção contra asma ou atopia
aos 8 anos
Os autores estudaram prospectivamente 3.963 recém-nascidos durante 8 anos,
avaliando a exposição às creches e a saúde respiratória, por meio de questionários,
associação com irmãos mais velhos com sintomas de asma, responsividade das vias
aéreas e sensibilização alérgica. Seu interesse era estudar se a exposição
precoce (de 0 a 2 anos), tardia (de 2 a 4 anos), ou a não-exposição (sem
frequentar até os 4 anos de idade) à creche evita o desenvolvimento de asma e
alergia. As crianças com exposição precoce a creches tinham mais chiado nos
primeiros anos de vida, mas o chiado e o uso de glicocorticoides foi menor
entre 4 e 8 anos de idade. Aos 8 anos de idade, a exposição precoce não foi
protetora contra sintomas de asma, sensibilização alérgica ou
hiperresponsividade das vias aéreas.
Comentário do Editor: Esses achados acrescentam mais dúvidas sobre a
hipótese da higiene e o desenvolvimento de asma e alergia.
Caudri D et al., Early daycare is associated with an increase in airway
symptoms in early childhood but is no protection against asthma or atopy at 8
years, Am J Respir Crit Care Med. 2009;180(6):491-498.
Resumo
5. Estudo LOCAL,
valor preditivo de rações locais na imunoterapia com alérgeno
Uma análise retrospectiva de um banco de dados eletrônico de imunoterapia foi
realizada durante 12 meses em um local de estudo que não ajustava as doses para
as reações locais(RL), visando determinar se a RL prediz outra subsequente. Os
autores registraram o total de injeções, as RL pequenas, as grandes reações
locais (GRL), as reações sistêmicas e se uma RL era seguida por outra.
Trezentos e sessenta pacientes receberam um total de 9.678 injeções. Um total
de 78,3% tiveram uma RL e 7,5% tiveram uma GRL. O índice total de RL foi 16,3%
(1574/9678); o de reação local pequena foi 15,9% (1536/9678) e o de GRL foi
0,4% (38/9678). De todas as RL seguidas por outra injeção, 27,2% foram
acompanhadas por outra RL. A sensibilidade e o valor preditivo positivo para
uma RL que prognostique outra RL na próxima injeção foram 26,2% e 27,2%,
respectivamente.
Comentário do Editor: Uma RL não vaticina necessariamente outra RL na
próxima injeção.
Calabria CW et al., The LOCAL Study: Local reactions do not predict local
reactions in allergen immunotherapy, J Allergy Clin Immunol,
2009;124(4):739-744.
Resumo
6. O impacto da
exposição às piscinas cloradas sobre a saúde respiratória do adolescente
Os autores examinaram 847 estudantes de 13 a 18 anos de idade, que utilizaram
piscinas cloradas para estimar a associação de doenças alérgicas à exposição a
piscinas cloradas. Desses estudantes, 114 tinham utilizado piscina não-clorada
e serviram de controles. Eles mediram a imunoglobulina E (IgE) total e
específica e fizeram triagem para broncoconstrição induzida por exercício. Os
desfechos foram sintomas respiratórios, rinite alérgica e asma, diagnosticados
em qualquer ocasião (durante a vida) ou tratados com medicação e/ou associados
a broncoconstrição induzida por exercício (asma logo em seguida). Entre os
atópicos, a asma e seus sintomas durante a vida ou a asma prevalente aumentou
com o número de horas passadas em piscinas cloradas, com maior risco de rinite
alérgica. Essas associações não foram encontradas entre adolescentes sem atopia
ou que frequentavam piscinas não-cloradas.
Comentário do Editor: A exposição a piscinas cloradas contribui para a carga
da asma e das alergias respiratórias entre adolescentes.
Bernard A et al., Impact of chlorinated swimming pool attendance on the
respiratory health of adolescents, Pediatrics, 2009;124(4);1110-1118.
Resumo
7. Ativação de basófilos in vitro e doença respiratória
exacerbada por aspirina (DREA)
A secreção de citocinas e o aumento da expressão dos marcadores de ativação
de superfície foram estudadas para compor uma análise abrangente das respostas
basofílicas à aspirina, na doença respiratória exacerbada por aspirina (DREA).
Os autores estudaram os efeitos da aspirina in vitro sobre a liberação
concomitante de histamina, leucotrieno C4 (LTC4) e IL-4, e avaliaram as
alterações dos marcadores de ativação de superfície (CD63, CD69 e CD203c)
usando suspensões de células enriquecidas com basófilos de dez pacientes com
DREA e dez voluntários saudáveis. A expressão de CD63, CD69 e CD203c induzida
por aspirina deu lugar a 30%, 80% e 70% de sensibilidade, respectivamente, com
pouca especificidade. Não houve diferença significante na síntese de LTC4.
Nenhum dos pacientes liberou IL-4. Uma dose alta de aspirina, 5 mg/ml, teve
efeitos não-específicos sobre os basófilos.
Comentário do Editor: A avaliação da ativação de basófilos in vitro
não tem valor clínico na identificação da DREA.
Çelik GE et al., Effect of in vitro aspirin stimulation on basophils in
patients with aspirin-exacerbated respiratory disease, Clin Exp Allergy,
2009;39(10):1522-1531.
Resumo
8. Estudo de vias
aéreas integradas mostra o impacto da rinossinusite crônica sobre a qualidade
de vida em pacientes com bronquiectasia
Os pacientes com bronquiectasia (B) (n = 80) foram avaliados quanto a
rinossinusite crônica (RSC) e pólipos nasais (PN), usando os critérios da EP³OS
(Posição Europeia sobre Rinossinusite e Polipose Nasal), e quanto à gravidade
da B, usando tomografias computadorizadas de alta resolução (HRCT) em um estudo
prospectivo. A qualidade de vida (QoL) foi avaliada por meio de questionários
específicos [Sinonasal Outcome Test-20 (SNOT-20), St. George Respiratory
Questionnaire (SGRQ)] e genéricos (Short Form-36; SF-36). Os pacientes com RSC
com ou sem pólipos tiveram QoL pior do que os não tinham a doença, e os autores
encontraram correlações entre todos os questionários e o volume expiratório
forçado em 1 segundo. Esses resultados sugerem que a RSC, com ou sem pólipos
nasais, tem impacto considerável sobre a QoL dos pacientes com B.
Comentário do Editor: Esses achados reforçam o conceito de vias aéreas
integradas.
Guilemany JM et al., United airways: the impact of chronic rhinosinusitis and
nasal polyps in bronchiectasic patient's quality of life, Allergy,
2009:64(10);1524-1529.
Resumo
9. Administração da
vacina contra influenza em crianças alérgicas a ovos
Os autores identificaram artigos sobre a vacina contra influenza em crianças
alérgicas a ovos, usando a PubMed e os termos de busca "influenza" e
"egg allergy". Foram usadas também outras referências. A maior parte
da evidência sobre esse assunto foi obtida em dois estudos clínicos
randomizados e de pequenas séries de caso. Os autores recomendam que as vacinas
contra influenza sem proteína do ovo, de culturas de células de mamíferos devem
ser administradas de maneira preferencial aos indivíduos alérgicos ao ovo. Se a
vacina sem proteína do ovo não estiver disponível, apenas as que declaram teor
máximo de ovo inferior a 1,2 µg/ml (0,6 µg por dose) devem ser utilizadas. Se
for administrada uma vacina produzida com ovo de galinha a um indivíduo com
alergia a ovo, ela deve ser administrada em centro especializado e preparado
para tratar a anafilaxia. Para quem tem história de alergia, recomenda-se o
protocolo de dose única, ao passo que o protocolo dividido em duas doses é
recomendado para os que têm história de anafilaxia ao ovo ou de asma moderada
ou não-controlada.
Comentário do Editor: Este artigo contém informações importantes em vista da
pandemia de influenza A.
Erlewyn-Lajeunesse M et al., Recommendations for the administration of
influenza vaccine in children allergic to egg, BMJ, 2009;339:b3680.
Resumo
10. Expressão de
quimocinas e receptores de quimocina na superfície da pele com ou sem lesão de
pacientes com dermatite atópica
Para determinar o padrão de receptor de quimocina (CCR) de subtipos de células
dendríticas (CD) da epiderme e a expressão de ligandos de quimocina (CCL) com
relação ao estado de dermatite atópica (DA), os autores obtiveram amostras de
biópsia por raspagem dos pacientes com DA antes e depois de 24 e 72 horas do
teste cutâneo de atopia e dos pacientes com DA crônica, psoríase e pele
saudável. A expressão das CD epidérmicas foi estudada e os níveis de RNAm de
quimocina na pele foram quantificados. O número total de CD epidérmicas CD1a(+)
aumentou e a proporção de CD CD1a(+) positivas para langerina diminuiu,
enquanto a porcentagem de CD CD1a(+) positivas para langerina aumentou depois
da aplicação do alérgeno. A expressão RNAm de CCL1, CCL3, CCL4 e CCL11 foi
maior na DA aguda do que na crônica.
Comentário do Editor: A expressão de CCR5 e CCR6 das CD CD1a(+) positivas
para langerina foi característica de DA aguda.
Gros E et al., Expression of chemokines and chemokine receptors in lesional and
nonlesional upper skin of patients with atopic dermatitis, J Allergy Clin
Immunol, 2009;124(4):753-760.
Resumo