O Prof. Richard F. Lockey, Editor chefe da Web da WAO e o revisor convidado Gary Hellermann, revisaram os melhores artigos de revistas médicas para alergistas práticos.
1. Nada para tossir
Este é o relato do caso de um homem com 73 anos de idade com história de tosse não produtiva há quatro dias e que piorava à noite. O diagnóstico diferencial de tosse é extensor e alergistas/imunologistas vêm regularmente pacientes com quadros crônicos de etiologia desconhecida. Neste caso particular, a tosse não era secundária a infecção da via aérea superior, síndrome tosse da via aérea superior (drenagem pós nasal) doença do refluxo gastroesofageano, asma, tabagismo ou uso de inibidores da ECA. Ela é causada por B. pertussis, um problema que resurge em associação à transmissão deste organismo em virtude da perda de proteção vacinal entre adolescentes e adultos. Eritromicina ou outro macrolídeo habitualmente eliminam o organismo em cinco dias; sem tratamento o paciente permance contagiante por um mês ou mais e a tosse perdura por semanas. A vacinação na infância para B. pertussis evanesce depois de cinco a dez anos, contribuindo para o reaparecimento da doença. Comentários do Editor: Pertussis pode responder por até 32% dos casos de tosse prolongada em adultos e adolescentes. A revacinção com vacina contra tétano, difteria e pertussis (Tdap) tem sido atualmente recomendada para adultos entre 19 e 64 anos de idade pelo Centro de Doenças Comunicáveis dos EUA. Cornia B et al., N Engl J Med 2007; 357:1432-7
2. Resposta alérgica das vias aéreas em camundongos obesos
A ligação entre asma e obesidade tem sido bem demonstrada em estudos epidemiológicos, mas estudos sobre como isto ocorre são poucos. Neste estudo foi usado modelo em camundongos obesos (ob/ob) para examinar os efeitos da obesidade sobre a asma induzida por ovoalbumina (OVA). A resistência pulmonar é alta em animais ob/ob quando comparada à dos animais tipo selvagem (WT) assim como os níveis de IgE. Não houve diferenças nos níveis de citocinas Th2 e a infiltração celular no pulmão foi menor nos animais ob/ob comparados aos WT. Comentários do Editor: O aumento significante da hiperreatividade das vias aéreas sem o aumento concomitante de citocinas Th2 ou infiltrado celular sugere mecanismos adicionais na asma associada à obesidade. Johnston RA et al., Am J Resp Crit Care Med 2007; 176: 650-658.
3. Efetividade das vacina contra influenza em residents de comunidade de idosos
Este estudo de 713 872 observações de pessoas-estação de dados agrupados de 18 coortes de moradores em comunidades de idosos de várias organizações mantenedoras de saúde dos EUA determinou que durante 10 estações, a vacinação contra influenza foi associada a redução significante do risco de hospitalização por pneumonia e o risco de morte entre moradores de comunidades para idosos. A vacinação foi associada a redução em 27% na taxa de hospitalização por pneumonia ou influenza (OR, 0,73; 95% CI, 0,06 a 0,77) e de 48% no risco de óbito (OR, 0,52; 95% CI, 0,50 a 0,55). Comentários do Editor: A vacina contra influenza está indicada para indivíduos com alto risco. Nichol K et al., N Engl J Med 2007; 357:1373-81. Treanor J D, editorial, 357:1439-1441.
4. Melhora clínica e mudanças imunológicas em pacientes com dermatite atópica submetidos a imunoterapia subcutânea com alergoide de ácaros da poeira doméstica: estudo piloto
A imunoterapia subcutânea alérgeno-específica (SCIT) é efetiva no tratamento de alergia e este estudo pretende determinar se ela é benéfica para pacientes com dermatite atópica (AD) sensíveis aos ácaros da poeira domiciliar (HDM). 25 indivíduos que haviam sido diagnosticados com o tendo AD por mais de dois anos, FEV1>70% e teste cutâneo de punctura positivo para Der p e/ou Der f foram admitidos no estudo. As aplicações da SCIT com alergoide de HDM foram administradas semanalmente nas primeiras quarto semanas e a seguir a cada quarto semanas até a 32ª semana. Os sintomas de AD foram quantificados empregando-se o escore padronizado SCORAD (scoring of atopic dermatitis). A SCIT com HDM causou redução significante do SCORAD (objetivo e subjetivo) assim como da IgE específica ao HDM; as maiores melhoras ocorreram entre os pacientes com quadros mais graves da doença. Comentários do Editor: Este pequeno estudo piloto oferece esperança significante de que a SCIT alérgeno-específica pode ser útil na AD. Bussmann C et al., Clin Expt Allergy 2007; 37: 1277-1285.
5. Interleucina 10 (IL10) derivada de mastócitos (MC) limita a patologia cutânea na dermatite de contato e na irradiação crônica com ultravioleta B.
O sistema imunológico possue atividade antiinflamatória natural que limita a infiltração de leucócitos e dano tecidual. A IL10 é uma citocinas produzida por macrófagos, células B, células T helper 2, células T reguladoras, e como relatado anteriormente aqui por MC. Camundongos deficientes em MC foram examinados quanto à inflamação em resposta ao urushiol (sensibilizante) ou irradiação UVB crônica. Eles mostraram que o aumento da hipersensibilidade por contato (CHS) foi revertido pela injeção neles de MC obtidos de animais selvagens. Os MCs parecem ser a principal fonte de IL10 e exercem função antiiflamatória e imunossupressora sobre a CHS e seus efeitos sobre a irradiação UVB crônica. Comentários do Editor: Este achado em camundongos sobre o papel dos MCs em limitar a a inflamação pela CHS pode ser importante para a CHS em humanos. Grimbaldeston MA et al., Nat Immunol 2007; 8: 1095-1104.
6. Rinite alérgica (AR) e o início da hiper-reatividade brônquica (BHR)
Há associação entre AR e aumento da BHR, entretanto, estudos não haviam relacionado de modo definitivo a ligação entre AR e o início da BHR. Dados do Estudo "European Community Respiratory Health Survey (ECRHS) foram usados neste estudo para avaliar os fatores associados ao desenvolvimento de BHR (definida como queda de pelo menos 20% no FEV1 em resposta a 1 mg de metacolina inalada). A coorte com 3719 indivíduos sem BHR no basal e com ou sem AR ou atopia foram avaliados durante o seguimento (cerca de nove anos após). A incidência de BHR foi 9,7% em indivíduos com AR, 7,0% entre os com atopia mas sem AR, e 5,0% em indivíduos sem nenhum deles. Quando so pacientes com AR foram tratados com ICS, houve aumento da remissão de BHR. Comentários do Editor: AR parece ser fator de risco para o início de BHR, mas o seu mecanismo exato é desconhecido. Shaaban R et al., Am J Resp Crit Care Med 2007; 176: 659-666.
7. Catecolaminas derivadas de fagócitos aumenta o dano da inflamação aguda
Há extenso quadro de evidências de que a resposta inflamatória está intimamente ligada a sinais autonômicos através de receptores específicos de células do sistema imunológico. Neste estudo, não apenas as células do sistema imunológico respondem aos neuro-hormônios como também os produzem. Macrófagos alveolares de ratos incubados com lipopolissacáride bacteriano produzem níveis elevados de adrenalina e noradrenalina e expressam as enzimas necessárias para produzir e degradara as catecolaminas. A secreção de catecolaminas por macrófagos promove inflamação pulmonar e o bloqueio por antagonistas dos adrenoceptores a previne. Experimentos similares com neutrófilos do sangue periférico (incluindo humanos) mostraram que essas células também produzem catecolaminas inflamatórias. Comentários do Editor: A complexidade multifacetada da resposta imunológica é amplamente demonstrada pelo achado da produção de neuro-hormônios por células fagocíticas. Flierl MA et al., Nature 2007; 449: 721-725.
8. Inibição do remodelamento da via aérea induzido por alérgeno por tiotrópio e budesonida: comparação
O neurotransmissor, acetilcolina, age sobre os receptores muscarínicos para causar a contração dos músculo liso das vias aéreas, mas a sinalização crônica pode também levar à produção de mediadores pró-inflamatórios e poroteínas mitogênicas. Este estudo focalizou os efeitos do tiotrópio, um agente anti-colinérgico, em comparação à budesonida sobre o remodelamento da via aérea, contratilidade e produção de muco em cobaias alérgicas a ovoalbumina. Ambos os compostos foram efetivamente similares em reduzir a hiper-contratilidade da traquéia e hiperplasia de células mucosas. Comentários do Editor: Este estudo demosntra que a acetilcolina agindo via receptores muscarínicos pode exercer papel importante na patofisiologia do remodelamento das vias aéreas. Bos IST et al., i>Eur Resp J 2007; 30: 653-661.
9. Atividade antiiflamatória dos anticorpos IgG4 humanos por troca dinâmica da porção FAb
Os anticorpos do subtipo IgG4 diferem de outros IgG por terem atividade antiinflamatória e esta propriedade os tem tornado úteis na imunoterapia. Tem havido muitosa relatos de que a IgG4 mono-específica pode trocar a cadeia pesada/leve com uma IgG4 diferente e gerar uma molécula bi-específica. Neste estudo, IgG4 em amostras de sangue de indivíduos sensíveis a gato e pólen de bétula reagiram com os dois antígenos. A troca do braço do anticorpo tmabém for a visto camundongos injetados com IgG4 específica a gato e a pólen de bétula. A quebra das pontes dissulfídicas entre os braços por reação in vitro com o agente redutor glutation verificou que este mecanismo estava envolvido na troca. Empregando modelo de miastenia gravis em macacos, a injeção de IgG4 específica aos receptores de acetilcolina (AChR) neutralizou os efeitos patológicos da IgG1 específica ao AChR. Comentários do Editor: Esta propriedade antiinflamatória incomum de anticorpos IgG4 prova haver uma via efetiva para o desenvolvimento de estratégias de imunoterapia mais efetivas. Kolfschoten M et al., Science 2007; 317: 1554-1557.
10. Avaliação crítica da "Doença de Lyme crônica"
A doença de Lyme, a mais comum infecção marcada no henisfério norte é causada exclusivamente por Borrelia burgdorferi, enquanto que na Europa é causada por B. afzelii, B. garinii, B. burgdorferi e outras espécies de Borrelia. Este artigo é uma revisão extensa e crítica sobre o tópico "Doença de Lyme crônica". Os autores indicam que esta doença é a mais recente de uma série de síndromes postuladas para atribuir sintomas medicamente não explicados de infecções particulares. Exemplos iniciais incluíam "síndrome da candidíase crônica" e "infecção crônica pelo virus Epstein-Barr". Eles afirmam que a "Doença de Lyme cônica", decorrente de B. burgdorferi crônica, é uma denominação inapropriada, e o tratamento prolongado com anticorpos potencialmente perigosos e de custo elevado não deve ser recomendado. Comentários do Editor: Este é um artigo excelente para ser lido por todos sobre uma "doença" para a qual não há boas evidências científicas. Feder H et al., N Engl J Med 2007; 357:1422-30.
Parasitas e Alergia (Imunologia Química e Alergia, Vol. 90)
Editores: Monique Capron, Francois Trottein
ISBN-10: 3-8055-7974-8
ISSN: 1660-2242
Disponível em: Karger AG
Preço de lista: $162.00 USD
Revisor: Steven L. Cole, DO
Divisão de Alergia e Imunologia, Departamento de Medicina Interna da Universidade do Sul da Flórida, Colégio de Medicina e Hospital dos Veteranos James A. Haley, Tampa, FL
Descrição:
Este volume da série Imunologia Química e Alergia focaliza a correlação entre as infecções por helmintos e as doenças alérgicas. Cada capítulo inclui um resumo e a discussão da literatura relevante seguidos por conclusões finais.
Proposta:
A finalidade deste livro é examiner criticamente o papel da infecção parasitária influindo sobre a resposta do sistema imunológico em doenças alérgicas. Uma coleção de especialistas internacionais destacam os mais importantes e controversos tópicos sobre os mecanismos regulatórios involvidos nas respostas Th1 e Th2 na infecção por helmintos.
Público alvo:
A amplitude deste livro é um pouco estreita e está voltada primariamente para os pesquisadores envolvidos em mecanismos imunológicos de doenças, mas especialistas em alergia e imunologia, doenças infecciosas e outros clínicos também o acharão útil.
Características:
Cada capítulo inclui uma discussão de pesquisa primária pertinente à area de especializaçao do autor, e focalize na regulação das células envolvidas na regulação imunológica e suas relações com várias infecções parasitárias. Há uma oferta generosa de diagramas que descrevem os mecanismos do envolvimento dos parasites na inflamação alérgica.
Avaliação:
Este livro é uma contribuição significante ao debate sobre o papel dos parasitas na inflamação alérgica e é uma boa fonte para cientistas e especialistas neste campo. Estudantes novos da disciplina de alergia e imunologia terão dificuldade para assimilar muito dos conceitos introduzidos neste volume, mas ele servirá como um guia de referência sobre este tema. Os quadros e gráficos apresentados em toda a extensão do livro são bem idealizados e as ilustrações são efetivas em capturar os pontos chave da sicussão.
Encontre mais livros de alergia no Website da WAO aqui.