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World Allergy Organization
WAO's mission: To be a global resource and advocate in the field of allergy, advancing excellence in clinical care through education, research and training as a world-wide alliance of allergy and clinical immunology societies.

Revisão de Revistas Médicas

Janeiro de 2011


Literatura WAO revisões médicas

 

Artigos revistos e editados por Dr. Juan Carlos Ivancevich e Dr. Phil Lieberman

 

1. Rinite alérgica como um indicador do início de sibilância em crianças em idade escolar. Com o objectivo de investigar se o desenvolvimento de rinite nos primeiros anos de vida poderá ser um indicador de sibilância em crianças dos 5 aos 13 anos, os investigadores estudaram 1.314 crianças que participaram no German Multicentre Allergy Study. Todas as crianças foram seguidas desde o nascimento e os pais preencheram regularmente questionários que avaliavam os sintomas respiratórios e outros aspectos de saúde. Os níveis de imunoglobulina específica (Ig)E foram medidos anualmente, e aos 7 anos de idade procedeu-se à avaliação da hiper-resposta das vias aéreas. Verificou-se uma maior incidência (9,2%) da rinite aos 3 anos, com variação de 2,5% a 7,7% nos restantes anos. Aos 13 anos, a incidência cumulativa de rinite foi de 47,8%. A maior prevalência de sibilância situou-se nos 19,8% no segundo ano de vida, e baixou para menos de 7,0% nos anos seguintes. A incidência cumulativa de sibilância foi de 40,5% aos 13 anos de idade. Após ter em conta factores como atopia parental, sexo, hábitos tabágicos da mãe durante a gravidez e número de sibilos, os investigadores  verificaram que as crianças que sofriam de rinite alérgica antes dos 5 anos tinham 3,82 vezes mais probabilidade de ocorrência de sibilos entre os 5 e os 13 anos. De facto, 41,5% das crianças que desenvolveram sibilância tinham desenvolvido rinite alérgica anteriormente. A associação entre rinite alérgica e sibilância não teve a ver com o tipo ou a gravidade da sensibilização. Os autores concluíram que a rinite alérgica em idade pré-escolar é um factor de risco para posterior desenvolvimento de sibilância. As crianças com rinite em idade pré-escolar devem beneficiar da avaliação precoce da sensibilização alérgica.

Comentário do Editor: Esta análise sugere que a primeira manifestação de rinite alérgica ocorre na idade pré-escolar, sendo um factor de risco para o posterior desenvolvimento de sibilância.

Rochat MK, Illi S, Ege MJ et al. Allergic rhinitis as a predictor for wheezing onset in school-aged children. Journal of Allergy and Clinical Immunology 2010; 126(6): 1170-1175. Abstract

 

2. Asma com múltiplos sintomas e bloqueio nasal, rinorreia e sintomas de rinosinusite crónica. Os objectivos deste estudo foram os de determinar se a asma com múltiplos sintomas está relacionada com sinais de asma grave, e investigar a associação entre a asma com múltiplos sintomas e os diferentes sintomas de rinosinusite alérgica e crónica. Este estudo analisou dados dos sintomas de asma, rinite e rinosinusite crónica do 2008 West Sweden Asma  Study, um estudo epidemiológico que usou os questionários OLIN e GA2LEN centrados em aspectos respiratórios e alérgicos. Para ser considerado como tendo asma com múltiplos sintomas, o indivíduo deveria ter um diagnóstico médico de asma, medicação para a asma e crises de falta de ar, sibilos recorrentes e, pelo menos, um dos seguintes sintomas: sibilância, dispneia, dificuldade em respirar durante esforços, dificuldade em respirar ar frio e dificuldade em respirar e em fazer esforços com tempo frio. Para efeitos deste trabalho, todos os indivíduos com diagnóstico médico de asma mas sem asma com múltiplos sintomas foram classificados como tendo asma com menos sintomas. Na população do estudo, 2,1% sofriam de asma com múltiplos sintomas. O risco de acordar durante a noite devido à asma foi superior ao dobro nos indivíduos com asma com múltiplos sintomas comparativamente com os que tinham asma com menos sintomas. A prevalência de rinite alérgica foi semelhante no grupo de asma com múltiplos sintomas e no de asma com menos sintomas, mas o bloqueio nasal e a rinorreia tinham incidência significativamente maior no primeiro grupo. A presença de um a quatro de quaisquer dos sintomas de rinosinusite crónica aumentou significativamente o risco de asma com múltiplos sintomas. Um grupo de indivíduos epidemiologicamente identificados sofrendo de asma com múltiplos sintomas abrange grande parte dos que apresentam sinais de asma grave. O grau de rinite, descrito pela presença de sintomas de bloqueio nasal ou de rinorreia, bem como a presença de qualquer dos vários sintomas de rinosinusite crónica, aumenta significativamente o risco de asma com múltiplos sintomas.

Comentário do Editor: A asma com múltiplos sintomas pode descrever uma população com maior gravidade da doença.

Lotvall J, Ekerljung L and Lundback B. Multi-symptom asthma is closely related to nasal blockage, rhinorrhea and symptoms of chronic rhinosinusitis - evidence from the West Sweden Asthma Study. Respiratory Research 2010; 11(1): 164 Full text, open access

 

3. Uma maior ingestão de fruta pode estar associada a um menor  risco de sintomas de asma e de sensibilização para alergénios inalados. A fim de avaliar os efeitos a longo prazo da exposição à dieta ou as diferenças nos efeitos dos hábitos alimentares na primeira infância ou mais tarde, os autores estudaram os dados de 4.146 crianças seguidas desde o nascimento até aos 8 anos de idade como parte do estudo Prevention and Incidence of Asma  and Mite Allergy (PIAMA). Compararam-se as associações entre a ingestão de fruta, vegetais, pão integral, peixe, leite, manteiga e margarina na primeira infância (2-3 anos de idade) e mais tarde (7-8 anos), bem como a ingestão a longo prazo, com asma e atopia aos 8 anos de idade. Obtiveram-se dados completos sobre os hábitos alimentares de 2.870 destas crianças dos 2 aos 8 anos para, pelo menos, um dos grupos de alimentos estudados. Globalmente, 13.0% das crianças tinham sintomas de asma (composto variável de sibilos, dispneia ou uso de esteróides inalados) e 32,1% tinham sensibilização para alergénios inalados aos 8 anos de idade. Após ter em conta potenciais factores de distorção, tais como atopia parental, hábitos tabágicos maternos, amamentação e peso à nascença, os investigadores verificaram que a ingestão de fruta fresca a longo prazo esteve inversa e significativamente associada com sintomas de asma e sensibilização para alergénios inalados, com cada dia de consumo por semana associado a uma redução do risco para ambos os parâmetros em 10,0%. Do mesmo modo, cada dia de consumo de fruta fresca por semana, aos 2-3 anos de idade, esteve associado a uma redução do risco de sintomas de asma em 7,0%. No entanto, o consumo de fruta aos 7-8 anos de idade não esteve associado com sintomas de asma ou sensibilização para alergénios inalados. Não se observaram associações significativas entre o aumento do consumo de qualquer dos outros alimentos e o risco de sintomas de asma ou de atopia. Os autores concluíram que os resultados deste estudo indicam não haver efeitos consistentes do aumento de consumo na primeira infância ou mais tarde, ou de maior ingestão a longo prazo de certos alimentos ou grupos de alimentos na asma e nas manifestações alérgicas em crianças de 8 anos de idade, com a possível excepção de fruta.

Comentário do Editor: Os futuros estudos prospectivos deveriam referir detalhadamente os alimentos que integram as dietas dos indivíduos estudados, o que permitiria uma melhor avaliação dos nutrientes ou dos efeitos específicos na asma e na sensibilização para alergénios inalados.

Willers SM, Wijga AH, Brunekreef B et al. Childhood diet and asthma and atopy at 8 years of age: the PIAMA birth cohort study. European Respiratory Journal November 25, 2010 [Published online before print. doi: 10.1183/09031936.00106109] Abstract

 

4. Recomendações práticas para considerações de segurança do omalizumab.  Esta excelente revisão resume a investigação epidemiológica feita até hoje e apresenta de forma concisa um conjunto prático de recomendações para prevenção, controlo e tratamento da anafilaxia associada ao omalizumab. O omalizumab já demonstrou eficácia em doentes com asma persistente alérgica moderada a grave, cujos sintomas são inadequadamente controlados com outros agentes. Embora esta terapêutica seja geralmente bem tolerada, há algumas considerações no que respeita à segurança, a mais importante das quais é a rara, mas potencialmente fatal, ocorrência de anafilaxia associada ao omalizumab. No Canadá, dados do fabricante indicam que a frequência de anafilaxia atribuída ao omalizumab no uso pós-comercialização é de aproximadamente 0,2%. Outros investigadores, incluindo os da American Omalizumab Joint Task Force (OJTF), sugeriram uma frequência global inferior (0,09%). Dicas para prevenção incluem aconselhamento do doente, informação sobre medicações concomitantes e administração óptima. A recomendação para as primeiras três injecções, é o controlo rigoroso do doente nas duas horas após a administração do omalizumab; para as injecções seguintes, o período de controlo é de 30 minutos ou o apropriado acordado pelo doente e pelo profissional de saúde. Caso ocorra anafilaxia associada ao omalizumab, o artigo tem recomendações para lidar com a situação em ambiente hospitalar/de consultório, bem como de informação ao doente de modo a reconhecer os potenciais sintomas e reagir adequadamente.

Comentário do Editor: Embora os efeitos adversos da anafilaxia relacionada com o omalizumab sejam raros, devemos familiarizar-nos com a sua apresentação e tratamento. Kim HL , Leigh R and Becker A. Omalizumab: Practical Considerations Regarding the Risk of Anaphylaxis. Allergy, Asthma & Clinical Immunology 2010; 6: 32. Full text, open access

 

5. Relação entre a exposição a endotoxina e ao fumo de tabaco e sibilância e variabilidade diurna do débito expiratório instantâneo em crianças e adolescentes. Com o objectivo de estudar a relação entre a exposição a endotoxina e gravidade da asma (sibilância e obstrução das vias aéreas), avaliaram-se os efeitos da exposição a endotoxina e a fumo de tabaco na sibilância e na variabilidade diurna do débito expiratório instantâneo (VD-DEMI) em crianças dos 6-18 anos de idade com asma ou sibilos num estudo transversal efectuado numa área rural. As crianças com sibilos nos últimos 12 meses ou com diagnóstico médico de asma (n = 98) foram seleccionadas para um estudo de controlo de casos. Estes casos, que estiveram na base da presente análise, compreenderam a) avaliação do ambiente doméstico, que incluiu recolha de poeiras para medição dos níveis de endotoxina, b) consulta médica, que incluiu recolha de saliva para medição dos níveis de cotinina, e c) controlo duas vezes por dia e durante duas semanas do registo de sintomas, incluindo sibilos e DEMI para cálculo da VD-DEMI. Destas crianças, 22,4% referiram sibilos durante o período de controlo. Os elevados níveis de VD-DEMI estiveram associados com elevadas cargas de endotoxina nas áreas de recreio. A associação entre os níveis de cotinina na saliva e VD-DEMI elevada variou com o sexo. Nas meninas, os elevados níveis de cotinina estiveram associados com um risco aumentado de VD-DEMI mais elevada, comparativamente com os níveis mais baixos de cotinina, o que não se observou nos rapazes. Os autores concluíram a maior exposição a endotoxina esteve associada a a VD-DEMI mais elevada nas crianças com asma ou sibilos. Os indivíduos com asma devem evitar a exposição a elevados níveis  de endotoxina a fim de limitar as exacerbações. O efeito da exposição ao fumo de tabaco na saúde pulmonar das crianças pode ser diferente entre os dois sexos.

Comentário do Editor: Nas crianças e adolescentes com asma ou sibilância, a exposição à endotoxina pode influenciar os sintomas da asma ou resultar em exacerbações. Lawson JA, Dosman JA, Rennie DC et al. Relationship of endotoxin and tobacco smoke exposure to wheeze and diurnal peak expiratory flow variability in children and adolescents. Respirology 2010 [Accepted article; published online for future issues. doi: 1440-1843.2010.01911.x/abstract] Abstract

 

6. O vírus da gripe A (H3N1) e a nova via que pode regular a  hiperreactividade das vias aéreas (HRVA). Com o objectivo de melhor compreender o papel das infecções virais respiratórias no desenvolvimento da asma em crianças, os autores estudaram um modelo de asma em ratinhos cujas crias foram infectadas com o vírus da gripe A (H3N1) e posteriormente estudados em adultas para susceptibilidade ao HRVA induzido pelo alergénio. Os resultados mostraram que a infecção pelo vírus da gripe A das crias de ratinhos as protegiam em adultas contra o HRVA induzido pelo alergénio. O efeito protector esteve associado à expansão preferencial das células CD4-CD8-, mas não das CD4+, NKT. A transferência adoptiva desta população de células para os ratinhos adultos sensibilizados ao alergénio suprimia o desenvolvimento do HRVA induzido pelo alergénio, um efeito associado à expansão da população de células forkhead box p3+ (Foxp3+) Treg específicas para o alergénio. A protecção induzida pela gripe foi imitada pelo tratamento das crias de ratinhos com um glicolípido derivado do Helicobacter pylori (uma bactéria associada com a protecção contra a asma) que activa células NKT. Estes achados sugerem um novo caminho que poderá regular o HRVA, e uma nova estratégia terapêutica (tratamento com glicolípidos activadores desta população de células NKT) para a asma.

Comentário do Editor: O papel da infecção viral na modulação do desenvolvimento da asma é particularmente  complexo porque muitos vírus diferentes afectam o aparelho respiratório, alguns parecendo acentuar e outros proteger contra o desenvolvimento da asma. Chang YJ, Kim HY, Albacker LA et al. Gripe infection in suckling mice expands an NKT cell subset that protects against airway hyperreactivity. The Journal of Clinical Investigation 2011; 124(1): 57-69. Full text, open access

 

7. Relação entre os baixos níveis de vitamina D sérica e a função pulmonar diminuída e broncoconstrição induzida por exercício físico em crianças asmáticas. A fim de avaliar a relação entre os níveis de vitamina D e a broncoconstrição induzida por exercício físico em crianças asmáticas, os investigadores estudaram 45 crianças com asma intermitente seguidas na consulta externa do hospital da Universidade de Verona, em Itália. Foram colhidas amostras de sangue das crianças e avaliadas para níveis de vitamina D (25 hidroxivitamina D), considerados suficientes (> e;30 ng/ml), insuficientes (20-30 ng/ml), ou deficientes (< 20 ng/ml). As crianças foram também avaliadas para FEV1, FVC e percentagem da queda de FEV1 após uma prova-padrão de provocação com exercício físico. Globalmente, apenas 11,1% (n = 5) das crianças tinha níveis suficientes de vitamina D; 37,8% (n = 17) tinham níveis insuficientes, e os restantes 51,1% (n = 23) tinham níveis deficientes. Os investigadores observaram uma correlação positiva significativa entre os níveis de vitamina D e ambos FEV1 e FVC. Além disso, as crianças cujo FEV1 diminuiu em 10% ou mais após a provocação com exercício físico tinham níveis significativamente mais baixos de vitamina D do que as que não tiveram uma queda significativa de FEV1 (16,2 vs 23,4 ng/ml). Os autores concluíram que estes resultados indicam que a hipovitaminose D é frequente em crianças asmáticas que vivem nos países Mediterrânicos. Nessas crianças, os baixos níveis de vitamina D estão associados com uma função pulmonar diminuída e reactividade ao exercício físico aumentada.

Comentário do Editor: Os baixos níveis de vitamina D sérica são frequentes em crianças que sofrem de asma e estão associadas com função pulmonar diminuída e broncoconstrição induzida por exercício físico. Chinellato I,Piazza M, Sandri M et al. Vitamin D serum levels and exercise-induced bronchoconstriction in children with asthma. European Respiratory Journal November 11, 2010 [Published online ahead of print. doi: 10.1183/09031936.00044710] Abstract

 

8. Implicação de CPI-17 (inibidor da miosina fosfatase potenciado pela proteína quinase-C) na asma. Para estudar os efeitos de CRBM-0244, um novo DHA (ácido docosahexaenóico) derivado sintetizado, na inflamação pulmonar e na hiperresposta das vias aéreas, os autores usaram um modelo dos brônquios humanos estimulados por TNF in vitro, bem como um modelo de asma alérgica in vivo. As medições da tensão mecânica revelaram que CRBM-0244 prevenia a hiperresposta brônquica em brônquios humanos  pré-tratados com FNT. Além disso, os tratamentos com CRBM-0244 resultaram na diminuição da activação de NF-kB e na expressão excessiva de COX2 desencadeada pelo FNT. CRBM-0244 diminuiu a sensibilidade a Ca2+ do músculo liso brônquico através da fosforilação de CPI-17 e nível de expressão. Os resultados também revelaram uma expressão excessiva da proteína CPI-17 em biópsias de pulmões de doentes asmáticos. A presença de enzimas especializadas, como 5- e 15-lipoxigenases, nos pulmões pode converter CRBM-0244 em mediadores activos conducentes à resolução da inflamação. As propriedades anti-inflamatórias de CRBM-0244 in vivo também foram investigadas num modelo de asma alérgica em cobaias. Após administração oral de CRBM-0244, o recrutamento de leucócitos nas vias aéreas, as mucosidades nas vias aéreas, a IgE específica para ovalbumina e os marcadores pró-inflamatórios, como FNT e COX2, estavam acentuadamente reduzidos. Assim, o tratamento com CRBM-0244 previne a hiperresposta das vias aéreas, a hipersensibilidade a Ca2+ e a expressão excessiva de CPI-17 no tecido pulmonar.

Comentário do Editor: Estes achados fornecem evidência-chave quanto ao modo de acção de CRBM-0244 nos pulmões e aponta para novas estratégias terapêuticas para modular a inflamação em doentes asmáticos. Morin C, Fortin S, Cantin AM et al. DHA Derivative Prevents Inflammation and Hyperreactivity in Lung: Implication of CPI-17 in Asthma. American Journal of Respiratory Cell and Molecular Biology November 5, 2010 [Published online ahead of print. doi: 10.1165/rcmb.2010-0156OC] Abstoract

 

9. Factor neurotrófico derivado do cérebro (FNDC) como marcador da gravidade da asma na infância. A fim de avaliar o papel do FNDC (da família das neurotrofinas) na asma pediátrica, os autores estudaram 57 crianças com asma persistente ligeira (n = 19), moderada (n = 24) e grave (n = 14), com média de idades de 10,0 anos, e 18 crianças saudáveis com média de idades de 9,3 anos. As amostras de sangue das crianças foram avaliadas para níveis de FNDC por ensaio imunoenzimático. Foram também avaliadas para níveis de vários marcadores inflamatórios, incluindo as quimiocinas CCL3, CCL11, CCL22, CCL24, CXCL8, CXCL9, CXCL10 e os receptores solúveis do factor de necrose tumoral (FNT) 1 e 2. A análise revelou que os níveis de FNDC variaram significativamente em todos os  grupos. Especificamente, os níveis plasmáticos de FNDC estiveram significativamente mais elevados nas crianças com asma moderada e grave do que nas que tinham asma ligeira e nas controlos. As crianças com asma ligeira tiveram níveis de FNDC semelhantes aos das crianças saudáveis. Não se observaram diferenças significativas entre os grupos quanto aos níveis de quimiocinas e dos receptores solúveis do FNT. Os autores concluíram que os seus achados sugerem que o FNDC, uma neurotrofina que actualmente se sabe estar envolvida na fisiopatologia da asma no adulto, também pode ter um papel como biomarcador para a gravidade clínica da asma na infância. Comentário do Editor: Estudos futuros deveriam especificar o papel das variáveis intervenientes (e.g., factores de stresse, medicação) que podem alterar os níveis de neurotrofinas. Müller GC, Pitrez PM, Teixeira AL et al. Plasma brain-derived neurotrophic factor levels are associated with clinical severity in school age children with asthma. Clinical and Experimental Allergy 2010; 40(12): 1755-1759. Abstract

 

10. Protozoários na expectoração e asma. Com o objectivo de avaliar se os protozoários observados em vários estudos respiratórios são mais frequentes em doentes com asma do que em controlos saudáveis, os autores investigaram a prevalência de protozoários flagelados na expectoração de doentes asmáticos. Foram estudados 54 asmáticos e 42 controlos não-atópicos e não-fumadores com idades dos 21 aos 62 anos. A presença de protozoários flagelados na expectoração foi avaliada usando um novo conjunto de critérios morfológicos e de coloração, capaz de  distinguir protozoários de células epiteliais ciliadas. Os participantes também preencheram questionários detalhando a gravidade da asma, o uso de esteróides inalados e as condições das suas habitações. Incluíram-se amostras da expectoração de 30 doentes com asma e de 13 controlos na análise final, dos quais 66,7% e 30,8%, respectivamente, foram positivos para protozoários (risco relativo =1,58). Nos doentes com asma, não se observaram diferenças significativas entre os que testaram positivos e negativos para protozoários quanto ao uso de esteróides inalados nas 2 semanas anteriores ou ao número de indivíduos que viviam em casas húmidas. Este estudo demonstra uma associação entre protozoários flagelados na expectoração e asma. Torna-se agora necessário confirmar e caracterizar os protozoários utilizando técnicas genéticas com base em 18S do ARN ribossómico. Quando isto for estabelecido, valerá a pena determinar se os sintomas da asma melhoram quando tratados com agentes anti-protozoários.

Comentário do Editor: Esta hipótese requer mais exploração para determinar se esses organismos desempenham algum papel patogénico primário ou secundário ou se a sua presença é apenas um achado incidental. van Woerden HC, Ratier-Cruz A, Aleshinloye OB et al. Association between protozoa in sputum and asthma: A case-control study. Respiratory Medicine 2010; in press [doi: 10.1016/j.rmed.2010.11.016] Abstract

 

11. Tratamento perioperatório da apneia obstrutiva do sono (AOS).  A apneia obstrutiva do sono (AOS) é a patologia respiratória mais comum, com elevada prevalência tanto na população em geral como na cirúrgica. Frequentemente a AOS não é diagnosticada, sendo muitas vezes detectada durante a avaliação médica de preparação para cirurgia. Eventos respiratórios e cardiovasculares adversos estão associados com a AOS no período perioperatório; é, assim, imperativo identificar e tratar os doentes em elevado risco da doença. O objectivo desta revisão foi o de discutir os dados epidemiológicos disponíveis sobre AOS na população cirúrgica e proporcionar uma melhor compreensão do impacto dos anestésicos na fisiopatologia da resistência das vias aéreas superiores. Os autores exploram também a utilidade dos vários questionários usados para identificar indivíduos em risco de AOS e sugerem regimes de tratamentos intra-operatório e pós-operatório. O artigo aborda ainda o papel da pressão positiva contínua nas vias aéreas no tratamento perioperatório da AOS e tem uma breve discussão sobre a cirurgia ambulatória em doentes com AOS. Os autores propõem um algoritmo para simplificar o tratamento e diminuir os riscos perioperatórios destes complexos doentes .

Comentário do Editor: Estima-se que cerca de 80% dos doentes  com AOS na população geral não são diagnosticados, não sendo, por isso, tratados. Adesanya AO, Lee W, Greilich NB et al. Perioperative Management of Obstructive Sleep Apnea. Chest 2010; 138(6): 1489-1498.