Contact WAO | e-News Sign Up | Site Map | Home  
World Allergy Organization
WAO's mission: To be a global resource and advocate in the field of allergy, advancing excellence in clinical care through education, research and training as a world-wide alliance of allergy and clinical immunology societies.

Revisão de Revistas Médicas

Fevereiro de 2011

Artigos revistos e editados por Dr. Juan Carlos Ivancevich e Dr. Phil Lieberman

 

1. Fenotipos inflamatórios em adultos e crianças com asma aguda.   A fim de investigar os fenotipos inflamatórios da asma estável em adultos, asma estável na infância e asma aguda, e examinar se a infecção com Chlamydophila pneumoniae é uma causa possível da asma não-eosinofílica, os investigadores estudaram 51 adultos com asma estável (n = 29) ou aguda (n = 22) e 77 crianças com asma estável (n = 49) ou aguda (n = 28). As amostras de expectoração recolhidas de todos os participantes foram avaliadas para tipos de células inflamatórias e ADN de C. pneumoniae. Os doentes com níveis de eosinófilos na expectoração acima de 3% foram classificados como tendo asma eosinofílica, e os com níveis de neutrófilos acima de 61% e níveis de eosinófilos abaixo de 3% foram classificados como tendo asma neutrofílica. Os doentes com níveis de neutrófilos acima de 61% e níveis de eosinófilos acima 3% foram classificados como tendo asma mista granulocítica; e os com níveis de neutrófilos abaixo de 61% e níveis de eosinófilos abaixo de 3% foram classificados como tendo asma paucigranulocítica. Os investigadores verificaram que a asma eosinofílica foi o fenotipo mais comum nas crianças com asma aguda (50,0%), seguida da asma mista granulocítica (35,7%) e da neutrofílica e paucigranulocítica (ambas com 7,1%). Nos adultos com asma aguda, o fenotipo mais comum foi a asma neutrofílica (81,8%), seguida da asma mista granulocítica (18,2%). Os fenotipos eosinofílico e paucigranulocítico não foram encontrados nos adultos com asma aguda. A asma paucigranulocítica foi o fenotipo mais comum nos adultos com asma estável (51,7%), seguida da asma neutrofílica (27,6%), eosinofílica (17,2%) e mista granulocítica (3,5%). A asma paucigranulocítica foi também o fenotipo mais comum nas crianças com asma estável (49,0%), seguida da eosinofílica (28,6%), neutrofílica (20,4%) e asma mista granulocítica (2,0%). O ADN de C. pneumoniae foi detectado apenas numa amostra de expectoração, numa criança com asma aguda. Os autores  concluíram que os padrões dos fenotipos inflamatórios diferem entre os adultos e as crianças, sendo a inflamação eosinofílica mais prevalecente tanto na asma infantil aguda como na estável, e a inflamação neutrofílica dominante na asma aguda dos adultos. Actualmente, a infecção com C. pneumoniae não parece explicar o fenotipo não-eosinofílico na asma nem aumentar a exacerbação respiratória aguda.

Comentário do Editor: Este estudo australiano mostra que os fenotipos inflamatórios diferem entre adultos e crianças com asma aguda ou estável e raramente são causados por C. pneumoniae. Wang F, He XY, Baines KJ et al. Different inflammatory phenotypes in adults and children with acute asthma. European Respiratory Journal 2011 [Published online before print, doi: 10.1183/09031936.00170110]. Abstract

 

2. Pode prever-se o risco de crises de asma com um simples questionário. Com o propósito de investigar se o Asma Control Questionnaire (ACQ), que avalia a eficácia do controlo da asma usando os sintomas, a limitação da actividade, o uso de medicação SOS e testes de função pulmonar, poderia apreciar os vários aspectos do controlo da asma e prever o risco da doença, os autores analisaram dados de 292 doentes com asma atópica moderada a grave. Os doentes, com idades dos 18 aos 65 anos (média: 41 anos), tinham participado no estudo de um antagonista do receptor IL-4, com a duração de 12 semanas. Os participantes preencheram o ACQ antes do início do tratamento e novamente de 2 em 2 semanas ao longo de 16 semanas após início do tratamento. No ACQ, inquiriu-se os doentes quanto aos sintomas durante a semana anterior e pediu-se-lhes que respondessem a seis perguntas sobre: acordar de noite, sintomas ao acordar, limitação da actividade, falta de ar, sibilos e uso de medicação SOS, numa escala de zero (sem problemas) a seis (máximo de problemas). Atribuiu-se uma escala semelhante aos testes de função pulmonar, e a pontuação global dos sete componentes foi, então, calculada variando de zero (totalmente controlada) a seis (gravemente descontrolada). No total, 31 doentes tiveram uma exacerbação ao longo do período do estudo. Após ajuste para idade, etnia, sexo e altura, os investigadores verificaram que cada aumento de um ponto na escala do ACQ estava associado com um rácio de probabilidade de 1,5 para uma exacerbação durante as 2 semanas seguintes. A análise dos componentes individuais do ACQ revelou a uma tendência de previsibilidade semelhante mas menos pronunciada, com rácios de probabilidade que variaram entre 1,1 e 1,3 para cada aumento de um ponto nas escalas dos componentes individuais. A pontuação inicial do ACQ não esteve associada com o risco global de exacerbação durante as 12 semanas do estudo. Observou-se uma correlação significativa entre as pontuações do ACQ ao longo do tempo e o risco de exacerbação da asma no futuro. Os resultados globais do ACQ foram superiores aos dos componentes individuais. Estes resultados confirmam a utilidade da avaliação proporcionada pelo ACQ nos ensaios clínicos e na prática clínica.

Comentário do Editor: A pontuação global da escala do Asma Control Questionnaire (ACQ) prevê o risco dos doentes para crises de asma nas próximas 2 semanas. Meltzer EO, Busse WW, Wenzel SE et al. Use of the Asthma Control Questionnaire to predict future risk of asthma exacerbation. The Journal of Allergy and Clinical Immunology 127: 167-172, 2011. Abstract

 

3. Doença alérgica e risco de trombose. Estudos anteriores mostraram que a via de coagulação pode ser activada nas vias aéreas de doentes com asma alérgica e rinite alérgica, e que a activação plaquetária também pode ter um papel na inflamação alérgica. Neste estudo, os autores compararam a prevalência de rinite alérgica, asma alérgica e dermite atópica em 129 doentes (dos 20 aos 45 anos) com tromboembolia venosa (TEV) com 144 controlos sem TEV equiparados para idade, sexo e hábitos tabágicos. A prevalência global de doenças atópicas foi significativamente maior nos doentes com TEV (38%) comparativamente com os controlos (22,9%). A prevalência da rinite alérgica foi significativamente maior nos doentes do que nos controlos (30,2% vs. 18,8%); a prevalência da asma (5,4% vs. 3,5%) e da dermite atópica (2,3% vs. 0,7%) não foram significativamente diferentes nos dois grupos. Os doentes com TEV e doenças atópicas tinham o nível do inibidor do activador de plasminogénio (IAP)-1 32,0% mais elevado e um tempo de coagulação 21,4% mais longo do que os doentes com TEV não-atópica. Os investigadores salientam que o(s) mecanismo(s) subjacente(s) à associação entre doenças atópicas e TEV continuam por esclarecer, mas sugerem que a redução da fibrinólise mediada pelo         IAP-1 poderia ser responsável em parte pelo aumento da prevalência de atopia entre os doentes com TEV. Concluíram que o seu relatório preliminar lança uma nova luz nas complexas ligações entre a inflamação alérgica/doenças atópicas e a coagulação sanguínea.

Comentário do Editor: Os doentes com tromboembolia venosa (TEV) têm o dobro da probabilidade de terem doenças atópicas, como a rinite alérgica, comparativamente com os indivíduos sem história de trombose. Undas A, Cieśla-Dul M, Drążkiewicz T et al. Association between atopic diseases and venous thromboembolism: a case-control study in doentes  aged 45 anos  or less. Journal of Thrombosis and Haemostasis 2011 [Published online before print. doi: 10.1111/j.1538-7836.2011.04198.x] Abstract

 

4. A laringe irritável como causa de tosse crónica (TC). A estimulação dos receptores sensoriais das vias aéreas superiores pode causar laringo-constrição reflexa. Os autores desta investigação tinham verificado anteriormente que a maioria dos doentes com rinosinusite, pingo pós-nasal e faringo-laringite apresentam hiperresposta laríngea (HRL), manifestada por um aumento da sensibilidade à adução das cordas vocais induzida pela histamina, um achado que interpretaram como consistente com uma laringe irritável. Neste estudo, avaliaram o papel da HRL na produção de CC associada com doença das vias aéreas ou com refluxo gastroesofágico (DRGE), bem como a TC em indivíduos sem doença das vias aéreas conhecida. Avaliaram também a HRL e a hiperresposta brônquica (HRB) à histamina em 372 doentes com TC. Foram estudados os seguintes grupos: TC e rinite perene (RP)/rinosinusite crónica (RSC, n = 208), TC e asma (asma/TC +, n = 41), CC e DRGE (n = 62), e TC de origem inexplicada (INEX, n = 61); 52 indivíduos asmáticos sem tosse (asma/CC-) serviram como controlos. A prevalência de HRL foi de 76% nos doentes com RP/RSC, 77% nos doentes com DRGE, 66% nos doentes com INEX, 93% nos com asma/TC + doentes e 11% nos doentes com asma/CC-. A elevada prevalência em todos os grupos com CC significa que a HRL não conseguiu discriminar entre os desencadeadores de tosse, embora distinguisse a asma/CC+ da asma/TC-. Em 172 doentes sem asma, a provocação foi repetida após tratamento da causa da tosse. Depois do tratamento, a HRL cessou em 63% dos doentes e melhorou em 11%, e a HRB cessou em 57% e melhorou em 18%. Os autores concluíram que a laringe irritável  é comum em doentes com TC e indicia envolvimento das vias aéreas superiores mesmo em doentes com asma.

Editor's comment: A avaliação da HRL pode ajudar a identificar uma laringe irritável como causa de tosse crónica. Bucca CB, Bugiani M, Culla B, et al. Chronic cough and irritable larynx. The Journal of Allergy and Clinical Immunology 2010; 127(2): 412-419. Abstract

 

5. Mecanismos da resistência ao tratamento da hiposmia com teofilina oral. A teofilina regula as concentrações de nucleótidos cíclicos, como cAMP e cGMP, que estimulam a maturação das células epiteliais olfativas. Um ensaio da teofilina para tratar doentes com hiposmia (n = 312) resultou num melhor sentido do olfacto em mais de metade, mas não em todos os indivíduos. Para tentar compreender a razão por que algumas pessoas não responderam ao tratamento, os autores  examinaram um subgrupo de 31 pessoas, cujos dados sobre a teofilina sérica e mucosa nasal cAMP e cGMP antes e depois do tratamento estavam disponíveis. Estes indivíduos foram divididos em 2 grupos: ‘que responderam’ (n = 20) e ‘que não responderam’ (n = 11), com base no tratamento ter ou não melhorado o sentido do olfacto. Em ambos os grupos, a concentração de teofilina sérica aumentou com o aumento da dose, mas mais significativamente nos ‘que responderam’. No início do ensaio, as concentrações de cAMP e cGMP estavam igualmente baixas nos dois grupos, mas o tratamento só aumentou as concentrações nos ‘que responderam’. Assim, alguns doentes com hiposmia e baixos níveis iniciais de mucosa nasal cAMP e cGMP podem ser relativamente resistentes ao tratamento com teofilina oral.

Comentário do Editor: Os níveis nasais de cAMP e cGMP podem ter um papel crucial na homeostase  do olfacto e na patogenia da hiposmia. Assim, a manipulação das suas sínteses pode ser uma terapêutica eficaz para patologias do olfacto. Henkin R, Velicu I, Schmidt L. Relative Resistance to Oral Theophylline Treatment in Patients With Hyposmia Manifested by Decreased Secretion of Nasal Mucus Cyclic Nucleotides. The American Journal of the Medical Sciences 2011; 341(1): 17-22. Abstract

 

6. Diferentes contribuições de factores biológicos para a gravidade da asma em negros e caucasianos. Os índices de morbilidade e de mortalidade devido à asma são mais elevados em doentes negros do que em caucasianos, mas os factores biológicos e ambientais que poderão contribuir para esta disparidade ainda estão por esclarecer. Os autores examinaram os dados clínicos, imunológicos e fisiológicos de 916 participantes (71% caucasianos, 29% negros) no Severe Asma Research Program para determinar se os indicadores imuno-inflamatórios da gravidade da asma apresentava diferenças quanto à etnia. Cerca de 40% dos indivíduos em cada grupo sofriam de asma grave, de acordo com os critérios da American Thoracic Society. Embora vários factores (idade, FEV1 basal, doença do refluxo gastroesofágico) aumentassem a probabilidade de asma grave em ambas as etnias, outros factores diferiram entre as etnias. Os níveis de imunoglobulina (Ig) E estiveram significativamente associados com a gravidade da asma nos negros, mas não nos caucasianos. Ter dois ou mais familiares com asma mais do que duplicou a probabilidade de asma grave nos doentes negros, mas quase reduziu para metade essa probabilidade nos caucasianos. A atopia esteve negativamente associada com a asma grave em ambos os grupos numa análise univariada, mas numa análise multivariada permaneceu negativa e marginalmente associada com a asma grave apenas nos doentes negros. Em contraste, a presença de comorbilidades esteve associada com a asma grave apenas nos doentes caucasianos. Os autores  concluíram que uma análise abrangente dos factores biológicos e genéticos associados com a asma poderá levar ao desenvolvimento de terapêuticas especificamente dirigidas aos factores de risco biológico nos indivíduos de etnia negra.

Comentário do Editor: A gravidade da asma está associada à história familiar e aos níveis de IgE nos doentes negros, mas não nos caucasianos. Gamble C, Talbott E, Youk A et al. Racial differences in biologic predictors of severe asthma: Data from the Severe Asthma Research Program. The Journal of Allergy and Clinical Immunology 2010; 126: 1149-1156. Full Text PDF

 

7. Fumo de tabaco, asma e sibilância nos adolescentes. A ligação entre o fumo de tabaco ambiental (FTA) e a asma está menos estudada nos adolescentes do que nas crianças e nos adultos. A fim de investigar os efeitos da exposição a FTA e dos hábitos tabágicos pessoais na prevalência de asma e sibilância entre adolescentes, os autores estudaram os dados dum estudo longitudinal de 3.430 crianças suecas em idade escolar que começou em 1996 quando as crianças tinham 7-8 anos de idade. Todos os anos as crianças respondiam a questionários sobre asma e alergias, hábitos tabágicos parentais e pessoais. Aos 16-17 anos, 13,6% dos rapazes e 13,0% das raparigas tinham um diagnóstico médico de asma; 21,9% e 26.1%, respectivamente, referiram já ter tido sibilância em alguma altura; e 16,5% e 24,8%, respectivamente, tinham sibilância. Os investigadores verificaram que a prevalência de um diagnóstico médico de asma, já ter tido sibilância e a presença de sibilância foram significativamente maiores nas crianças expostas a FTA materno e nas que fumavam diariamente. De facto, após ter em conta os factores de distorção, como a história familiar de asma e alergias, os 538 participantes expostos a FTA materno tinham 1,3 vezes mais probabilidade de ter um diagnóstico médico de asma e 1,5 vezes mais probabilidade de sofrer de sibilância do que as crianças sem essa exposição. As que aos 16-17 anos fumavam diariamente (n = 123) tinham 2,0 vezes mais probabilidade de sofrer de sibilância do que as não fumadoras. As que fumavam diariamente e também estavam expostos a FTA materno (n = 111) tinham o maior risco de asma e de sibilância. Os autores  concluíram que a exposição ao FTA materno e os hábitos tabágicos pessoais estavam independentemente relacionados com asma e sibilância nos adolescentes.

Comentário do Editor: São necessários programas eficazes para prevenção do tabagismo entre adolescentes que poderiam reduzir o número de fumadores e, deste modo, a prevalência da asma. Hedman L, Bjerg A, Sundberg S et al. Both environmental tobacco smoke and personal smoking is related to asthma and wheeze in teenagers. Thorax 2011; 66: 20-25. Abstract

 

8. Os neuropeptídeos das lágrimas e a prova de provocação específica com alergénios na conjuntivite alérgica. Os autores mediram a substância P (PS), o peptídeo relacionado com o gene da calcitonina (PRGC), o neuropeptídeo Y (NPY), e peptídeo intestinal vasoactivo (PIV) nas lágrimas de 15 indivíduos com conjuntivite alérgica (6 homens, 9 mulheres, idade média 30 ± 8 anos ) mas na altura sem sintomas e de 10 indivíduos saudáveis com idades equivalentes. Fizeram testes de provocação conjuntival (TPC) com alergénios no olho direito de todos os doentes alérgicos e em 5 controlos saudáveis, e aplicaram diluente no olho esquerdo dos mesmos indivíduos. Foram recolhidas amostras de lágrimas de ambos os olhos antes e depois dos TPC, e medido o conteúdo de PIV, NPY, PRGC e PS nas lágrimas por ELISA. No início do estudo, os níveis de neuropeptídeos eram semelhantes nos doentes alérgicos e nos controlos saudáveis. Os TPC induziram hiperémia conjuntival e prurido em todos os doentes alérgicos, não se tendo observado qualquer reacção nos olhos controlo nem nos indivíduos saudáveis. Nos doentes alérgicos, os níveis de PS (3,9 ± 1,3 vs. 5,8 ± 1,1 ng/mL, P = 0,011, teste de Wilcoxon), PRGC (5,5 ± 2,3 vs. 7,3 ± 2,7 ng/mL, P = 0,002), e VIP (4 ± 0.9 vs. 5,1 ± 1,5 ng/mL, P = 0,007), mas não os de  NPY (2,7 0.4 vs. 3,3 1,3 ng/mL) estavam significativamente mais elevados após TPC do que no início do estudo. Não se observaram alterações significativas nos olhos controlo dos doentes alérgicos provocados com diluente nem nos indivíduos saudáveis após provocação com alergénios.

Comentário do Editor: Os neuropeptídeos estão presentes tanto nas lágrimas de indivíduos alérgicos como nas de indivíduos saudáveis e podem modular as respostas normais e as alérgicas da conjuntiva. Sacchetti M, Micera A, Lambiase A et al. Tear levels of neuropeptides increase after specific allergen challenge in allergic conjunctivitis. Molecular Vision 2011; 17: 47-52. Full Text PDF

 

9. Os biomarcadores como instrumentos de diagnóstico para a alergia alimentar. Os testes de diagnóstico actualmente utilizados para identificar alergias alimentares em geral e alergia ao amendoim em particular, tais como os testes cutâneos por picada e a determinação de imunoglobulina E (IgE) específica, têm sensibilidade e especificidade limitadas. A "impressão digital metabólica" usando espectrometria de ressonância magnética nuclear (RMN) ou espectrometria de massas pode identificar biomarcadores (metabolitos) que diferenciem as pessoas com e sem alergias. Os autores fizeram um estudo piloto de metabolitos no plasma e na saliva de 12 indivíduos com alergia ao amendoim e 11 com tolerância ao amendoim usando espectrometria RMN em combinação com análises estatísticas multivariadas, antes e depois de provocação com amendoim. Os dados espectrais de NMR do plasma apresentaram diferenças entre os indivíduos tolerantes e alérgicos ao amendoim antes e depois da sua ingestão. Assim, esta alergia podia ser detectada mesmo antes do início das reacções alérgicas. Os dados espectrais da saliva eram diferentes apenas depois da ingestão de amendoins. Foram identificados alguns metabolitos específicos, incluindo elevados níveis de lactato, creatinina e glutamina, e lípidos e ácido nicotínico diminuídos, mas são necessários estudos maiores e mais detalhados que elucidem a completa gama de metabolitos e a sua possível relação com a patogenia da alergia. No entanto, este estudo piloto mostra que níveis aberrantes de metabolitos podem servir como novos biomarcadores para a alergia alimentar.

Comentário do Editor: Novos instrumentos podem melhorar a precisão da avaliação diagnóstica de doentes com alergia alimentar. Peeters K, Lamers RA, Penninks AH et al. A Search for Biomarkers as Diagnostic Tools for Food Allergy: A Pilot Study in Peanut-Allergic Patients. International Archives of Allergy and Immunology 2011; 155: 23-30. Abstract

 

10. Vacinas de ADN. Este excelente artigo de revisão aborda muitos aspectos do desenvolvimento, mecanismos e aplicações de vacinas de ADN plasmídico. De certo modo, as vacinas de ADN foram desenvolvidas para superar muitas das limitações dos actuais sistemas de vacinação. Em termos práticos, podem ser feitas fácil e rapidamente, o que permite acelerar a produção de novas vacinas. Uma vez que é possível sintetizar o ADN dos antigénios, torna-se desnecessário manipular um organismo patogénico, e a vacina resultante não conterá antigénios adicionais potencialmente nocivos, ou vectores de antigénios que possam interferir com a resposta esperada. Além disso, não há necessidade duma cadeia fria, o que aumenta a utilidade destas vacinas em regiões com baixos rendimentos. Imunologicamente, as vacinas de ADN estimulam múltiplos componentes do sistema imunitário (produção de anticorpos, células-T auxiliares e linfócitos-T citotóxicos). Podem estimular respostas a epítopos que não são visíveis na superfície da célula; se se escolherem os alvos apropriados, estas vacinas podem ser usadas para proporcionar protecção cruzada, mesmo contra patogénios de rápida mutação. E, ainda, porque a resposta das células-T auxiliares às vacinas de ADN enviesada para um fenotipo Th1, esta tecnologia está a ser investigada como uma via para o tratamento de alergias, tendo mostrado resultados promissores em estudos pré-clínicos de doença alérgica.

Comentário do Editor: Este artigo examina os vários mecanismos em que as respostas imunes são induzidas e moduladas por vacinas de ADN, e explora as implicações destes mecanismos para a utilização clínica de vacinas de ADN. Liu MA. DNA vaccines: an historical perspective and view to the future. Immunological Reviews 2011; 239(1): 62-84. Full Text PDF

 

11. Defeitos do gene da filagrina (GFL)e risco de alergia.   Esta é uma excelente revisão da filagrina, uma proteína que facilita a diferenciação terminal da epiderme e a formação da barreira cutânea, agregando filamentos de queratina, o que causa o colapso de queratinócitos no stratum corneum. Assim, a filagrina é essencial para a retenção da humidade epidérmica. A perda de função das mutações do GFL, o gene que codifica a precursora da filagrina, a profilagrina, resulta em ictiose vulgar, uma patologia comum caracterizada por pele seca e descamação. Estão identificadas cerca de 40 dessas mutações, mas os seus padrões variam entre as populações europeia e asiática e em populações asiáticas específicas. As mutações do GFL também têm sido fortemente associadas com a dermite atópica e, em menor grau, com eczema e asma e com rinite alérgica. Estudos recentes levantaram a hipótese de que defeitos da barreira cutânea causados por mutações do GFL resultem em doenças atópicas, incluindo a asma, permitindo a penetração de alergénios na epiderme onde vão interagir com células que apresentam antigénios, iniciando, assim, uma resposta imune a Th2. A intervenção precoce para repor a função da barreira cutânea e reduzir a sensibilização aos alergénios pode ser uma abordagem profiláctica exequível em doentes com mutações do GFL.

Comentário do Editor: As mutações da filagrina podem desempenhar um papel importante no desenvolvimento das doenças alérgicas. Osawa R, Akiyama M, Shimizu H. Filaggrin Gene Defects and the Risk of Developing Allergic Disorders. Allergology International 2011. [Published online before print. doi: 10.2332/allergolint.10-RAI-0270]. Full Text PDF, Open Access