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World Allergy Organization
WAO's mission: To be a global resource and advocate in the field of allergy, advancing excellence in clinical care through education, research and training as a world-wide alliance of allergy and clinical immunology societies.

Revisão de Revistas Médicas: Abril de 2011

Artigos revistos por Dr. Juan Carlos Ivancevich e Dr. Phil Lieberman

1. O uso de dipropionato de beclometasona e salbutamol como tratamento SOS das exacerbações em crianças. O estudo TREXA examinou o uso de dipropionato de beclometasona (DPB) em crianças  com asma persistente ligeira. Os dois objectivos do estudo foram os de estabelecer (1) se a interrupção da dose diária de corticosteróides inalados (CSIs) em crianças com asma persistente ligeira e bem controlada aumentaria o risco de exacerbações, e (2) se o uso de DPB e salbutamol para SOS, com ou sem o uso concomitante e diário de DPB, protege melhor contra exacerbações do que a estratégia SOS apenas com salbutamol. O estudo incluiu 843 crianças  e adolescentes (idades 6-18 anos) com asma persistente ligeira durante os 2 anos anteriores. Os que estavam a usar CSIs diariamente antes da inclusão no estudo tiveram que qualificar para interrupção ou cessação, dado o bom controlo da doença. Depois de um período run-in de 4 semanas, aqueles cuja asma continuava bem controlada sem exacerbações  (n = 288) foram aleatoriamente designados para um dos quatro grupos de tratamento: 1) DPB (40 mcg nebulização) 2Xdia com BDP e salbutamol como SOS (grupo combinado); 2) DPB 2Xdia com placebo e salbutamol como SOS (grupo DPB diário); 3) placebo 2Xdia com BDP e salbutamol como SOS (grupo DPB SOS); 4) placebo 2Xdia com placebo e salbutamol como SOS (grupo placebo). Nos grupos SOS, foram administradas duas nebulizações de DPB (80 mcg) ou de placebo para cada duas nebulizações de salbutamol (180 mcg) necessárias para alívio dos sintomas. O primeiro achado foi o tempo até à primeira exacerbação a requerer corticosteróides orais. A probabilidade duma primeira exacerbação até ao fim do estudo foi de 31% (21%-43%) no grupo combinado (P = 0,07 vs. placebo), 28% (18%-40%) no grupo diário (P = 0,03), e 35% (24%-47%) no grupo SOS (P = 0,07), comparativamente com 49% (37%-61%) no grupo placebo. As razões de probabilidade para as exacerbações de asma foram mais baixas nos grupos diário e combinado, comparativamente com placebo, mas a diferença não foi estatisticamente significativa para o grupo DPB SOS. Houve mais insucesso do tratamento no grupo de placebo do que nos outros três grupos. Os CSIs podem prejudicar o crescimento, e as crianças dos grupos combinado e diário cresceram 1,1 cm (SD 0,3) menos do que as do grupo de placebo (P < 0,0001), mas não se verificaram diferenças entre os grupos SOS e placebo (P = 0,26). Os autores concluíram que a administração diária de CSIs é o tratamento mais eficaz para prevenir as exacerbações e reduz o insucesso no tratamento em crianças com asma persistente ligeira, e que a terapêutica SOS apenas com salbutamol não é adequada. A DPB SOS diminui o risco de exacerbação e de insucesso no tratamento, comparativamente com apenas salbutamol SOS e pode ser um passo útil na estratégia para crianças com asma ligeira bem controlada.

Comentário do Editor: O tratamento SOS com DPB não é tão eficaz como os corticosteróides diariamente para prevenir as exacerbações, mas é mais eficaz do que salbutamol apenas e evita a insuficiência no crescimento associada com os corticosteróides nas crianças. Martinez FD, Chinchilli VM, Morgan WJ, et al. Use of beclomethasone dipropionate as rescue treatment for crianças with mild persistent asthma (TREXA): a randomised, double-blind, placebo-controlled trial. The Lancet 2011; 377 : 650-657. Abstract

2. Não há associação de obesidade e adiposidade com inflamações eosinofílicas das vias aéreas em pessoas sem asma. A obesidade e a adiposidade estão intimamente associadas com o desenvolvimento e gravidade da asma, mas os dados sobre os seus efeitos nas inflamações das vias aéreas têm sido inconsistentes. Com o intuito de resolver esta questão, os autores avaliaram se o óxido nítrico exalado fraccionado (FeNO) estava associado com a obesidade/adiposidade em 117 coreanos adultos, saudáveis, não-fumadores, sem diagnóstico anterior de asma nem sintomas actuais de asma. Estudaram as associações entre FeNO e os parâmetros de obesidade/adiposidade [índice de massa corporal (IMC), massa gorda e percentagem de gordura corporal] e os níveis séricos de hormonas derivadas do tecido adiposo e adipocinas usando análises de correlação e análises de regressão linear uni- e multivariada. No modelo de regressão linear multivariada, depois de ajustado para idade, género, rinite crónica, atopia e função pulmonar, o FeNO não esteve significativamente associado com IMC, massa gorda ou percentagem de gordura corporal, embora estivesse associado com  idade e sexo masculino. O FeNO também não esteve significativamente associado com os níveis séricos de leptina, adiponectina, factor de necrose tumoral (TNF)-α, ou interleucina (IL)-6. Estes achados sugerem que em indivíduos saudáveis sem asma, nem a obesidade/adiposidade nem as hormonas e a inflamação sistémica derivada do tecido adiposo afectam significativamente as inflamações das vias aéreas.

Comentário do Editor: Em doentes sem asma, a associação entre obesidade e inflamação das vias aéreas parece bastante diferente da que se observa em asmáticos. Kim SH, Kim TH, Lee JS, et al. Adiposity, Adipokines, and Exhaled Nitric Oxide in Healthy Adults Without Asthma. Journal of Asthma 2011; 48 (2): 177-182. Abstract

3. Não se observou efeito negativo no tratamento a longo-prazo com budesonida intranasal na densidade mineral óssea em crianças. Os corticosteróides intranasais (NSI) são um tratamento eficaz  para a rinite alérgica (RA) e, ao contrário dos glucocorticóides, não têm sido associados com perda de densidade óssea. No entanto, este risco para o metabolismo ósseo não tem sido suficientemente estudado na criança. Este estudo retrospectivo avaliou os efeitos do tratamento a longo-prazo com spray de budesonida intranasal no estatuto mineral ósseo em doentes pediátricos com RA. As 230 crianças com RA perene (145 rapazes dos 7 aos 11 anos) tinham usado budesonida nasal intermitentemente pelo menos durante 3 anos numa dose média diária de 100 mcg (amplitude: 89-132 mcg). A dose média [± erro padrão da média (EPM)] de esteróides utilizada foi de 73,5 ± 7,0 mcg/dia, com  65,2 ± 5,2 g total de esteróides durante o tratamento. A densidade mineral óssea da coluna lombar foi medida por absorciometria bifotónica radiológica. Os níveis séricos de cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, hormona paratiroideia e osteocalcina também foram avaliados. Os resultados foram comparados com controlos de sexo e idades equivalentes que tinham sido diagnosticados recentemente com RA sem qualquer tratamento anterior com corticosteróides. Os 140 doentes controlo (90 rapazes) tinham idades dos 6 aos 11 anos. Não se observaram diferenças significativas na densidade mineral óssea, ALP sérica média, cortisol, fósforo e níveis de osteocalcina entre o grupo de estudo e o de controlo. Os achados sugerem que o tratamento intermitente a longo-prazo com spray de budesonida intranasal não tem efeitos negativos na densidade mineral óssea e nos parâmetros associados da saúde óssea.

Comentário do Editor: O uso de budesonida intranasal parece ser seguro em crianças. Ozkaya E, Mete F, Dibek E, et al. Lack of bone metabolism side effects after 3 years of nasal topical steroids in crianças with allergic rhinitis. Journal of Bone and Mineral Metabolism 2011 [Published online before print. doi: 10.1007/s00774-010-0255-3]. Abstract

4. Associação entre o uso de acetaminofen (paracetamol) e um risco aumentado de sintomas de asma. O uso de acetaminofen tem aumentado em todo o mundo nos últimos 30 anos e pode aumentar o risco de desenvolver asma. Com o objectivo de investigar a associação do uso de acetaminofen com a asma, os autores estudaram dados de 322.959 adolescentes, com idades dos 13 aos 14 anos, de 113 centros em 50 países que participaram no International Study of Asma and Alergias in Childhood (ISAAC). Todas as crianças  completaram questionários escritos e em video com informação sobre o seu uso de acetaminofen nos 12 meses anteriores. Facultaram também informação sobre se tinham tido recentemente sintomas de asma, rinoconjuntivite e eczema. Globalmente, 73% dos adolescentes tinham usado acetaminofen pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores (uso médio), variando entre 41% na China e 92% no Panamá, e 30% tinham usado o fármaco pelo menos uma vez por mês (uso elevado). O uso de acetaminofen nos últimos 12 meses esteve associado com um aumento significativo do risco para sintomas actuais de asma que aumentam com o nível de exposição. De facto, depois de ter em conta factores como sexo, tabagismo e regime alimentar maternos, o uso médio e elevado de acetaminofen nos 12 meses anteriores estiveram associados com um risco 1,38 e 2,36 vezes maior, respectivamente, de sintomas actuais de asma comparativamente com a ausência de uso. Observaram ainda que, comparativamente com a ausência de uso, o uso médio e elevado de acetaminofen nos 12 meses anteriores estiveram associados com um risco 1,33 e 2,18 vezes maior, respectivamente, de sintomas actuais de rinoconjuntivite e um risco 1,32 e 1,87 vezes maior, respectivamente, de sintomas actuais de eczema. Os autores concluíram que o uso de acetaminofen na infância pode ser um importante factor de risco para o desenvolvimento e/ou manutenção de asma. No entanto, o desenho do estudo não distingue se a relação é causal.

Comentário do Editor: Ensaios aleatórios e controlados deveriam ser efectuados urgentemente para investigar a relação entre o uso de acetaminofen na infância e a asma. Beasley RW, Clayton TO, Crane J, et al. Acetaminophen Use and Risk of Asthma, Rhinoconjunctivitis, and Eczema in Adolescents. International Study of Asthma and Allergies in Childhood Phase Three. American Journal of Respiratory Critical Care Medicine 2011; 183 : 171-178. Abstract

5. Ligação entre o uso precoce de acetaminofen (paracetamol) e asma e atopia na infância.  No sentido de investigar o efeito do uso precoce de acetaminofen nos sintomas de asma aos 6 anos de idade, os investigadores estudaram crianças, em dois locais (Christchurch e Wellington), nascidas entre 1997 e 2001, que participaram no New Zealand Asma and Allergy Cohort Study. Os dados sobre a exposição das crianças ao acetaminofen foram recolhidos a partir de questionários feitos às mães no 3º e no 15º meses após nascimento, no grupo de Christchurch, e aos  6 anos  (doses do ano anterior) para as crianças nos dois locais. Aos 6 anos de idade, 914 crianças foram avaliadas para atopia e alergias comuns usando testes séricos e cutâneos por picada, que incluíram 464 crianças na sub-amostra de Christchurch. Avaliou-se a prevalência de sibilos e de asma diagnosticada nas entrevistas maternas, usando perguntas-padrão do International Study of Asthma and Alergiasin Childhood (ISAAC). Globalmente, 89,9% das crianças de Christchurch tinham recebido pelo menos uma dose de acetaminofen até à idade de 15 meses. Aos 6 anos, a prevalência de asma diagnosticada com e sem atopia foi de 13,0% e 9,2%, respectivamente, enquanto que a prevalência de sibilos com e sem atopia foi de 14,1% e 12,0%, respectivamente. A prevalência de atopia sem asma actual ou sibilos foi de 16,1% e 15,1%, respectivamente. Após ter em conta potenciais factores de confusão, tais como o número de infecções das vias aéreas no início da vida, história familiar de alergias, peso à nascença, idade da mãe e tabagismo materno durante a gravidez, os investigadores verificaram que qualquer uso de acetaminofen nos primeiros 15 meses de vida esteve associado com um risco 3,61 vezes maior de atopia aos 6 anos de idade. Também observaram uma associação dependente da dose entre o uso de acetaminofen aos 5-6 anos de idade e o risco de sibilos e de asma diagnosticada. De facto, comparativamente com o uso de acetaminofen em 0-2 ocasiões, o uso em 3-10 e mais de 10 ocasiões esteve associado com razões de probabilidade ajustadas de 1,83 e 2,30, respectivamente, para sibilos, e 1,63 e 2,16 para asma diagnosticada. Os autores concluíram que o paracetamol pode ter um papel no desenvolvimento da atopia e na manutenção dos sintomas da asma.

Comentário do Editor: Estes achados acrescentam evidência para a necessidade de mais estudos aleatórios e controlados para determinar se a associação entre o uso de acetaminofen e a asma é causal. Wickens K, Beasley R, Town I, et al. The effects of early and late paracetamol exposure on asthma and atopy: a birth cohort. Clinical & Experimental Allergy 2011; 41 : 399-406. Abstract

6. O potencial papel da heparina nas reacções alérgicas e inflamatórias.   A heparina é um mucopolissacarídeo sulfatado

que é sintetizado exclusivamente por mastócitos. Os mastócitos activados desencadeiam o edema nas doenças alérgicas e inflamatórias, mas o papel da heparina neste processo não é claro. Os autores usaram uma variedade de abordagens, incluindo estudos de plasma humano e células endoteliais in vitro, modelos de roedores in vivo e doentes com angioedema hereditário (AEH), para investigar o papel da heparina na indução de permeabilidade vascular através do sistema de contacto e bradiquinina. A heparina isolada a partir dos mastócitos só induziu a formação de bradiquinina no plasma na presença do sistema de contacto do factor XII (FXII) protease. Nos ratos infundidos com heparina, os leucócitos aderiram e transmigraram através do endotélio dos vasos sanguíneos; o tratamento com o antagonista do receptor da bradiquinina B2, icatibant, aboliu este comportamento. As baixas de tensão arterial causadas pelos mastócitos foram evitadas nos ratos tratados com  icatibant e nos ratinhos sem FXII ou receptor B2. A heparina provocou perda de fluidos dos microvasos cutâneos dos ratinhos tipo-selvagem, mas não nos ratinhos sem FXII, receptor B2, mastócitos, ou Serpin, o gene que codifica o inibidor da C1-esterase. O inibidor da C1-esterase é um importante inibidor de FXII, e a sua perturbação provoca

a maioria dos casos de AEH. A heparina e os mastócitos activados induziram edema excessivo em ratinhos com deficiência do inibidor da C1-esterase. Pediu-se a 38 doentes com angioedema hereditário para referirem os potenciais agentes desencadeantes do edema. Onze deles associavam os episódios de edema com reacções alérgicas a alimentos e três com "toxinas de insectos". No conjunto, estes resultados indicam que a formação de bradiquinina induzida pela heparina tem um papel fundamental nas doenças alérgicas ou inflamatórias mediadas por mastócitos. Os fármacos que bloqueiam a bradiquinina ou a actividade do factor XII poderão, assim, oferecer uma nova estratégia para tratar a permeabilidade vascular associada com as doenças alérgicas e outras doenças imuno-mediadas.

Comentário do Editor: A heparina desempenha um papel-chave nas reaccões alérgicas e inflamatórias desencadeadas pelos mastócitos. Oschatz C, Maas C, Lecher B, et al. Mast Cells Increase Vascular Permeability by Heparin-Initiated Bradykinin Formation In Vivo. Immunity 2011; 34 (2): 258-268. Abstract

7. Associação dos baixos níveis de vitamina D e alergias nas crianças.  Este estudo de mais de 3.000 crianças associa os baixos níveis de vitamina D com a probabilidade aumentada de as crianças  desenvolverem alergias. As amostras são oriundas do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), um programa de estudos  desenhado para avaliar o estado de saúde e de nutrição dos adultos e crianças nos Estados Unidos. Este é um levantamento único, já que combina entrevistas, exames físicos e estudos laboratoriais. Os investigadores observaram os níveis séricos de vitamina D nas amostras de sangue, em 2005 e 2006, duma amostras nacional representativa de 3.136 crianças e adolescentes e 3.454 adultos. Avaliaram a sensibilidade a 17 alergénios diferentes medindo os níveis de imunoglobulina-E sérica (sIgE) específica aos alergénios. Na análise dos dados, não se observou associação entre os níveis de vitamina D e alergias nos adultos, mas nas crianças e nos adolescentes os baixos níveis de vitamina D estavam relacionados com a sensibilidade a 11 dos 17 alergénios testados, incluindo os alergénios ambientais (e.g., Ambrósia, carvalho, cão, barata) e os alimentares (e.g., amendoim). Por exemplo, as crianças com deficiência de vitamina D (definida como menos de 15 nanogramas de vitamina D por millilitro de sangue) tinham 2,4 vezes mais probabilidade de serem alérgicas ao amendoim do que as crianças com níveis suficientes de vitamina D (mais de 30 nanogramas de vitamina D por millilitro de sangue). As mais recentes recomendações alimentares referem que as crianças devem tomar 600 UI de vitamina por dia; esta dose pode prevenir a deficiência de vitamina D e reduzir o risco de alergias.

Comentário do Editor: A investigação mostra apenas uma associação e não prova que a deficiência de vitamina D cause alergias em crianças. Sharief S, Jariwala S, Kumar J, et al. Vitamin D levels and food and environmental allergies in the United States: Results from the National Health and Nutrition Examination Survey 2005-2006. Journal of Allergy & Clinical Immunology 2011 [Published online before print. doi: 10.1016/j.jaci.2011.01.017] Abstract

8.  Efeito aditivo da mometasona e da desloratadina na rinite alérgica e na rinosinusite crónica. As inflamações da mucosa das vias aéreas superiores resulta dos elevados níveis de citocinas e eosinófilos pró-inflamatórios. Os tratamentos recomendados incluem corticosteróides e anti-histaminas, mas estudos de terapias combinadas com estas duas classes de fármacos produziram resultados inconsistentes. O objectivo deste estudo foi o de investigar se a mometasona e a desloratadina têm efeitos aditivos na secreção de citocinas e molécula de adesão intercelular-1 solúvel (sICAM-1) por células epiteliais ou na sobrevida dos eosinófilos. Obtiveram-se células epiteliais a partir da mucosa nasal ou de pólipos de doentes (n = 9 em cada grupo). A estimulação destas células com 10% de soro fetal bovino (SFB) aumentou a secreção de interleucina (IL)-6, IL-8, factor  de estimulação da colónia de granulócitos e macrófagos (GM-CSF) e sICAM-1. O furoato de mometasona (10 -11 M to 10 -5 M) diminuiu os níveis desses factores segregados por estimulação do SFB, mais nas culturas de células de mucosas do que nas culturas de células de pólipos. Para todos os factores, excepto a sICAM-1, esta redução foi dependente da dose. A desloratadina (10 -5 M) combinada com  10 -9 M mometasona reduziu significativamente a secreção de IL-6 (para 48% ± 11% do SFB – só no controlo) relativamente apenas à mometasona  (68% ± 10% relativamente ao controlo; P < 0,05). O meio condicionado pelas células epiteliais promoveram a sobrevida dos eosinófilos durante 4 dias, e a mometasona inibiu a sobrevida. A combinação de 1 -11 M mometasona e 10 -5 M desloratadina inibiu a sobrevida dos eosinófilos (para 27% ± 5% do controlo) mais do que a mometasona apenas (44% ± 7% sobrevida) ou desloratadina apenas (46% ± 7% sobrevida) apenas (P < 0,01). Assim, a combinação de desloratadina e o furoato de mometasona demonstrou um maior efeito anti-inflamatório num modelo de inflamação eosinofílica in vitro do que apenas qualquer dos fármacos.

Comentário do Editor: As anti-histaminas e os corticosteróides tópicos têm maiores efeitos anti-inflamatórios quando usados em combinação, mas o seu efeito aditivo na rinite alérgica ainda não foi demonstrado clinicamente. Mullol J, de Borja Callejas F, Martínez-Antón MA, et al. Mometasone and desloratadine additive effect on eosinophil survival and cytokine secretion from epithelial cells. Respiratory Research 2011; 12 : 23. doi:10.1186/1465-9921-12-23 Full text, open access

9. O combustível de biomassa ligado às doenças respiratórias. Estima-se que 2,4 mil milhões de pessoas em todo o mundo vivem em casas cujas fontes de energia para cozinhar e para aquecimento são os combustíveis sólidos produzidos a partir da biomassa, tais como a madeira, o carvão, excrementos secos de animais, palha e paus, que têm baixa eficiência de combustão e libertam fumo. Embora numerosos estudos tenham mostrado que o uso doméstico destes combustíveis sólidos está associado com um risco aumentado de doenças respiratórias, mas os achados quanto ao peso dessa associação têm sido variáveis. Com o objectivo de avaliar o risco de doenças respiratórias associadas com a exposição a combustíveis de biomassa, os autores procuraram na literatura estudos relevantes efectuados com mulheres e crianças de meios rurais em contexto não-industrializado ou doméstico. No total, 25 estudos (nove de casos e controlos e 16 tranversais) efectuados em 14 países diferentes entre  1990 e 2007 satisfizeram os critérios para inclusão na revisão final e na meta-análise. Os estudos variavam entre 50 indivíduos expostos ou não e grandes grupos de mais de 33.000 crianças e 18.000 mulheres. A análise do conjunto de dados revelou que, globalmente, a exposição regular a fumos de combustíveis de biomassa esteve associada com um risco 3,53 vezes maior de infecções respiratórias agudas em crianças, comparativamente com a não-exposição. Nas mulheres, o uso regular de combustíveis de biomassa esteve associado com um risco 2,52 vezes maior de bronquite crónica e 2,40 vezes maior de doença pulmonar obstrutiva crónica, comparativamente com as que não usavam esses combustíveis. Os efeitos do uso de combustíveis de biomassa na saúde respiratória têm sido reportados na literatura. Esta meta-análise contribui para o conhecimento anterior com a quantificação da associação entre o uso de combustíveis de biomassa e situações respiratórias específicas nas mulheres e nas crianças em meios rurais. Os melhoramentos no design dos fogões e os esforços para reduzir a exposição a fumos pode diminuir as doenças respiratórias nessas populações.

Comentário do Editor: Este estudo apoia uma forte associação entre o uso regular de combustíveis sólidos produzidos a partir da biomassa e o risco aumentado de doenças respiratórias em mulheres e crianças. Po JYT, J FitzGerald M, Carlsten C. Respiratory disease associated with solid biomass fuel exposure in rural women and children: systematic review and meta-analysis. Thorax 2011; 66 : 232-239. Abstract

10. A desregulação da biosíntese lipídica protege o hospedeiro de infecções virais. As ligações entre o metabolismo lipídico e o sistema imunitário estão a ser cada vez mais conhecidas. Por exemplo, uma tal relação foi observada nos processos inflamatórios que ocorrem na aterosclerose e na resposta às infecções virais. Neste estudo, os autores usaram várias técnicas, incluindo bio-informática, bioquímica e gene knockdowns, para elucidar as ligações funcionais entre a biossíntese de esteróis e a resposta imune inata às infecções virais. A infecção de macrófagos primários com citomegalovírus murino (mCMV) e outros vírus desregulou selectivamente os componentes da via de esteróis  a nível do gene e da proteína, tal como o  tratamento com  interferon (IFN) α ou -β, mas não outras citocinas. Esta desregulação levou à diminuição do rendimento metabólico da via de esteróis. O tratamento das células com stimvistatina produziu um efeito antiviral dependente da dose; mais experiências com siRNA knockdown de componentes específicos da via e do resgate de metabolitos indicam que o ramo mevalonato-prenilação da via, mais do que o colesterol, foi responsável pelo efeito antiviral. O knockout genético do receptor tipo I IFN, IFNAR1, aboliu a capacidade das células para reduzir a expressão dos genes de esteróis em resposta à infecção por mCMV ou ao tratamento com  IFNβ. Finalmente, SREBP2, um factor-chave de transcrição da regulação da via da biossíntese de esteróis, mostrou redução a nível do RNA e da proteína aquando da infecção ou do tratamento com IFNβ ou -&ganma, um efeito que estava dependente da presença de IFNAR1. No conjunto, estes achados sugerem um modelo em que a infecção viral desencadeia uma resposta tipo I IFN, que resulta na desregulação da biossíntese de esteróis como defesa do hospedeiro.

Comentário do Editor: Assinalar selectivamente a via da biossíntese de esteróis do hospedeiro pode proporcionar novos tratamentos antivirais. Blanc M, Hsieh WY, Robertson KA, et al. Host Defense against Viral Infection Involves Interferon Mediated Down-Regulation of Sterol Biosynthesis. PLoS Biology 2011; 9 (3): e1000598. doi:10.1371/journal.pbio.1000598. Full text, open access

11. Segurança a longo-prazo da termoplastia brônquica.           A termoplastia brônquica (TB), um procedimento broncoscópico que melhora o controlo da asma reduzindo o excesso de músculo liso das vias aéreas, foi recentemente aprovado como uma opção terapêutica para doentes com asma grave. Este artigo reporta os resultados de segurança duma extensão de 4 anos do Asma Intervention Research Trial, que teve a duração de 12 meses, no qual um grupo submetido a TB, para além do tratamento padrão (corticosteróides inalados e agonistas β2 de acção prolongada) foi comparado com um grupo de controlo que apenas recebeu o tratamento padrão. Os indivíduos do grupo TB que decidiram continuar na extensão do estudo(45 de 52) foram avaliados anualmente até ao Ano 5, e os do grupo Controlo (24 de 49) foram avaliados anualmente até ao Ano 3. As avaliações incluíram um exame físico; espirometria; volumes pulmonares estáticos; capacidade de difusão; raio-X do tórax; metacolina PC20; e solicitação activa de eventos adversos, recurso a serviços de urgência (SU) e hospitalizações. Não se observaram nos grupos de TB e de Controlo diferenças significativas em nenhum dos parâmetros até ao Ano 3, exceptuando que o grupo TB melhorou, relativamente ao valor basal, a metacolina PC20, que dobrou comparativamente com o grupo Controlo nos Anos 2 e 3. A percentagem de indivíduos no grupo TB que referiram um evento adverso (53%, 56%, 53%, e 52%) e o número de eventos adversos por indivíduo (1,2, 1,3, 1.2, e 1,1) manteve-se estável nos Anos 2-5. Os índices de idas a SUs e de  hospitalizações e os valores de CVF e VEF1 também não pioraram durante o período de follow-up. Estes dados indicam que a TB é segura durante um período de, pelo menos, 5 anos.

Comentário do Editor: Este estudo apresenta dados de segurança a longo-prazo da termoplastia brônquica em doentes intervencionados por operadores experientes. Thomson NC, Rubin AS, Niven RM, et al. Long-term (5 year) safety of bronchial thermoplasty: Asthma Intervention Research (AIR) trial. BMC Pulmonary Medicine 2011; 11 : 8. doi: 10.1186/1471-2466-11-8. Full text, open access

12. Risco de asma e alergias com a frequência regular de piscinas.   Nos últimos anos, vários estudos epidemiológicos vêm sugerindo que os índices de asma e de outras doenças é mais elevado em crianças que frequentam piscinas clorinadas. No entanto, outros estudos não observaram tais associações. Para investigar mais aprofundadamente, os autores estudaram 5.738 crianças inseridas no Avon Longitudinal Study of Parents and Children, no Reino Unido. Colheram dados sobre a frequência de piscinas aos 6, 18, 38, 42, 57, 65 e 81 meses de idade que compararam com dados da presença de rinite, sibilos, asma, eczema, febre dos fenos e do uso de medicação para a asma entre as idades dos 7 aos 10 anos. A frequência de piscinas cumulativa foi avaliada numa escala de 1 a 9, com uma pontuação de 0 a 2 definindo baixa frequência e 5 a 9 definindo elevada frequência. As crianças foram também submetidas a avaliação da função pulmonar (espirometria) e a testes cutâneos por picada para alergias entre as idades de 7 e 8 anos. Aproximadamente metade das crianças frequentaram piscinas pelo menos uma vez por semana entre as idades de 4 e 7 anos, enquanto que 20% nunca ou muito raramente frequentavam piscinas. Globalmente, 21,4% das crianças  tinham um teste cutâneo por picada positivo e 20% sofriam de asma desde os 7 anos. Os investigadores verificaram que as crianças com  elevada frequência cumulativa entre o nascimento e os 7 anos tinham 12% menos probabilidade de ter sofrido de asma e 50% menos probabilidade de asma actual aos 7 anos de idade, do que as com baixa frequência cumulativa. A elevada frequência cumulativa também esteve associada a uma melhor função pulmonar e menos sintomas de asma, nomeadamente de sibilos. Não observaram uma associação significativa entre a frequência de piscinas e a atopia. Estes achados mantiveram-se após ajustamento para potenciais factores de confusão, como género, asma materna, peso à nascença e idade materna. Assim, a frequência de piscinas não aumentou o risco de asma, atopia ou qualquer sintoma respiratório ou alérgico em crianças britânicas; pelo contrário, essa frequência foi até associada com melhor função pulmonar e com menor incidência de asma actual entre crianças com anteriores problemas respiratórios.

Comentário do Editor: O achado de que a natação está associada a menor incidência de asma tem implicações importantes na saúde pública, devendo ser feita mais investigação para confirmar estes achados. Font-Ribera L, Villanueva CM, Nieuwenhuijsen MJ, et al. Swimming Pool Attendance, Asthma, Allergies, and Lung Function in the Avon Longitudinal Study of Parents and Children Cohort. American Journal of Respiratory Critical Care Medicine 2011; 183 : 582-588. Abstract

13. Segurança do uso de corticosteróides inalados para a asma durante a gravidez. Os corticosteróides inalados (CSIs) são actualmente recomendados para controlo da asma durante a gravidez, devido ao elevado risco, para a mãe e para o feto, dos ataques de asma materna. No entanto, há pouca evidência quanto aos efeitos sistémicos na mãe e se esses efeitos podem prejudicar a placenta ou o feto. Para este estudo, os autores avaliaram os níveis plasmáticos de cortisol, estrióis, osteocalcina e da hormona que liberta a corticotropina em 156 mulheres com asma e 51 sem asma. Recolheram amostras de sangue das mulheres em cada trimestre e registaram o uso de CSIs. As grávidas foram submetidas a ecografias às 18 e 30 semanas de gestação. À nascença, registou-se o peso e sexo dos bebés. Os resultados mostraram que os níveis hormonais aumentaram nas mulheres durante a gravidez, mas a presença de asma por si não teve efeitos significativos nesses níveis. Porém, o uso de CSIs durante a gravidez teve um efeito inibidor dependente da dose nos níveis hormonais maternos nas mulheres cujos fetos eram do sexo feminino. O uso de CSIs esteve inversamente associado com os níveis de cortisol materno no primeiro trimestre e inversamente associado com os níveis de osteocalcina materna no segundo e terceiro trimestres. Nas mulheres cujos fetos eram do sexo masculino, não se observou associação entre a dose de CSIs e os níveis de cortisol, estrióis ou osteocalcina maternos. Os níveis da hormona que liberta a corticotropina aumentaram com o uso de CSIs no primeiro trimestre nestas mulheres. O uso de CSIs não esteve relacionado com o peso à nascença ou outras medições de crescimento fetal de ambos os sexos. Os autores concluiram que o uso de CSIs durante a gravidez não afecta a função supra-renal fetal, como é demonstrado pela falta de alterações na concentração de estrióis com doses aumentadas de  CSIs, e não parece afectar adversamente o crescimento e desenvolvimento fetal.

Comentário do Editor: Evidência importante para a utilização segura de CSIs durante a gravidez. Hodyl NA, Stark MJ, Osei-Kumah A et al. Fetal Glucocorticoid-regulated Pathways Are Not Affected by Inhaled Corticosteroid Use for Asthma during Pregnancy. American Journal of Respiratory Critical Care Medicine. 2011; 183 : 716-722. Abstract